O médico coveiro
O magoado cidadão, a rondar os setenta anos, contava-me, com um olhar preocupado: “O médico atendeu-me lá no hospital e depois de saber quem me tinha operado há uns anos, perante a minha pergunta do que devia ser feito para a minha cura, disse-me secamente: “este médico que o tratou cavou metade da sua sepultura. Quanto à outra metade vamos lá a ver!” O homem ficou atónito e ainda se encontrava completamente baralhado, interrogando-se: “Era da minha vida que ele falava, como se estivesse a falar duma pessoa que ninguém conhecia!” Mas, havia mais! Perante níveis preocupantes do estado da doença revelados por análises que o próprio paciente tinha recolhido, este dirigiu-se ao hospital e pediu para falar de novo com o dito médico. Este, olhando as análises, respondeu: “Vá beber uns copos!”, naturalmente enquanto douto conselho ao seu paciente! O baralhado cidadão interrogou-me: “Será que não tenho cura e como já não sou novo não vale a pena tentar?!” Claro que um cidadão tem o direito de viver a qualidade de vida que for possível até ao último dos seus dias! Ganhou esse direito trabalhando uma vida inteira! De facto, isto dá que pensar. A começar pela questão deontológica, de um doente ver um médico a dizer cobras e lagartos do trabalho de outro. Depois, a falta de respeito pelo paciente que ali estava, preocupado com a sua saúde e ficar a saber que um médico lhe tinha cavado metade da vida e quanto à outra metade, não era nada que uns copos de bom bagaço não resolvesse! A sorte que têm estes espertinhos, com bata de médico ou sem ela, é encontrar pela frente pessoas humildes e que ainda olham para o senhor doutor como um ungido de Deus na Terra!
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