Postal da Semana: Urgência doente
1981 – uma mulher deu entrada numa urgência hospitalar, de manhã cedo. Sofria de úlcera e estava a desenvolver uma perfuração. O Hospital Distrital não detetou e, ao fim da tarde, enviou-a para um hospital central. A ambulância deixou-a, sem qualquer referência ou indicação. Estava em coma. Durante a noite, faleceu. 2011 – um homem deu entrada num Hospital Distrital. Com dores fortíssimas na área do estômago. Na urgência aliviaram-lhe as dores (sem estas, não se deteta o mal!). Como estas voltaram, enviaram-no para a cirurgia. Sem qualquer informação. Médica amiga contatou o Hospital por telefone. Ninguém sabia onde se encontrava o paciente. Na urgência, onde confirmaram que deu entrada, não ficou o registo para onde foi enviado. O Hospital foi informado que o paciente ia ser transportado de helicóptero para um hospital privado. A meio da tarde, um médico experiente visitou o paciente e começaram os exames. Ao início da noite, a equipa de cirurgiões do hospital onde tinha dado entrada informou o paciente que não recomendavam a viagem (uma infeção estava a alastrar rapidamente) e que o bloco operatório estava preparado para intervir. A intervenção foi ali realizada, com sucesso. Dois casos que distam 30 anos. Que nos dizem que, apesar da modernização em equipamentos, os nossos hospitais continuam doentes. O mesmo problema de sempre, que ninguém teve coragem de resolver: as urgências dos hospitais. O local onde chegam os cidadãos e cuja observação e encaminhamento, salvam ou matam vidas. Um local onde tinham que estar médicos experientes, com olho clínico e não principiantes e estagiários.
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