O Tumor
A notícia caiu como bomba: este amigo tinha um tumor! A viver uns tranquilos sessenta e tal anos, após uma vida de labuta árdua, este amigo vendia saúde e alegria. Não era sequer pessoa de risco, pois não fumava, tinha uma cuidada alimentação, nunca tinha tido doença preocupante. Dias depois, após todos os mais completos exames, a boa notícia aliviou todos: o tumor era maligno, mas estava no início de desenvolvimento, media pouco mais que um centímetro, estava circunscrito a certo órgão e ia ser retirado, numa cirurgia marcada para dias depois. A boa notícia dava conta que os exaustivos exames permitiram ver que todo o resto do corpo estava completamente limpo! Todos ficámos aliviados. O próprio dava graças pelo resultado. O susto e a dor, a ânsia e a preocupação de que fosse algo terminal, estavam afastados. O próprio vivia finalmente momentos de alívio e sã esperança. O dia da cirurgia chegou. Ligaram-me. A notícia do resultado aterrou-me! Afinal, o tumor era enorme, estava espalhado por vários órgãos e era impossível retirá-lo! A ideia que fica é arrepiante: não há forma de detectar com segurança um cancro. Em certos casos, só quando este se revela e já tarde. Estamos muito vulneráveis e a ciência ainda não conseguiu melhor. Por um lado, temos que estar preparados para qualquer surpresa destas: não acontece aos outros, acontece-nos e aos nossos, cada vez mais inesperadamente. Por outro, parece que somos convidados a viver a vida de forma decente e empenhada, e a controlar a ambição: dum momento para o outro não há dinheiro que nos valha a vida! n EC
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