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E agora?!

por António Silva em Dezembro 17,2008

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Não foi há muito que aqui nos interrogámos sobre como iriam os governantes distrair este humilde e sacrificado povo face ao cenário político e social. Como iriam fazer-nos convencer de que a economia estava a crescer e que tudo iria no melhor caminho (ou se se referiam à miséria e ao número de pobres que cresce todos os dias nas ruas deste País.
Perguntámos como iriam eles, os senhores do poder, amenizar as agruras deste povo anónimo, mas povo que todos os dias as sente, causadas pelas dificuldades que atravessa, cada vez maiores.
E mais: qual seria o analgésico que os “sábios” de São Bento iriam usar para aliviar a angústia de quem se vê atolado em dificuldades?
Na verdade, de que valerá dizer que o PIB sobe e o défice desce, se o que o povo sente são as dificuldades a subir, enquanto o que desce é a resistência à carestia da vida?
Enquanto houve futebol, funcionou como uma droga, mas a ilusão funcionou, e apenas, como engodo para iludir o estômago dos mais pobres. E o País, durante todo esse tempo, esqueceu-se do tempo de pensar.
A massificação propagandística, bem à moda latino-americana, com que somos violentados durante meses e meses, faz-nos, por momentos, esquecer as realidades.
Agora que o espectáculo acabou, sentimos na pele a dura realidade do acordar do sonho que nos impingiram, pintadinho cor-de-rosa. Mas a festa acabou e a realidade é bem menos colorida e de tons bem mais negros.
Chamem-nos pessimistas, chamem--nos o que quiserem, dêem largas ao vosso fanatismo clubista ou partidário, característica de quem olha só para o seu umbigo, mas olhemos à nossa volta para ver se enxergamos o que nos rodeia, porque a realidade é bem triste e o maior cego é sempre aquele que não quer ver.
Mas há os que vêem! São os que vão ao mercado, ao médico e à farmácia, os que têm que pagar a renda da casa, as prestações do automóvel, do frigorífico ou da mobília, mais os impostos. E são também as donas de casa, com as suas tormentas para porem a mesa à família, todos os dias. Este quadro não é nada cor-de-rosa e ainda não é tudo!
Falta referir a angústia que nos causa pensar meter gasolina.
As gasolineiras ganham milhões, arrecadam lucros exorbitantes e o governo, sabendo que é uma exploração ao consumidor, está-se marimbando, porque vai partilhar do lucro e, como ganha “à comissão”, quanto mais alto for o preço, mais o Estado arrecada. As gasolineiras exploram, o consumidor paga e o Estado recebe a sua quota-parte da exploração.
Disse o governo que iria lançar um imposto adicional sobre os lucros das gasolineiras, mas nós sabemos, em que é que isso resulta: é mais uma manobra do governo para mascarar um imposto que vai recair sobre o consumidor!
O governo disfarça enquanto mete, pela milésima vez, a mão nos nossos bolsos do Zé!
Todos sabemos que quem paga os impostos são os consumidores e se o governo não controla os preços dos combustíveis (não pode ou não quer?), logo mais um imposto, directo ou indirecto, seja qual for a forma, é uma maneira desonesta de nos chuparem a última gota de sangue.
Admiro este povo, que é o meu povo, que apesar da miséria para que está predestinado, continua cantando e rindo… e sofrendo! Parece que não era preciso ser bruxo para adivinhar estas coisas.
n a.a.silva   2008-12-17


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