Clube da Venda Nova: Foi recebido, triunfante, pelas pérolas da cultura de Águeda
Máquinas trepidantes trabalham na rotunda da Praça do Conde, junto à caixa geral dos depósitos. Muitas pessoas aproximam-se, intrigadas e perguntam o que se passa, mas parece ter sido ordenado um black-out e ninguém responde. O Fernando Granizo, que além de grande agricultor de espécies várias, todas biológicas, desde a batata doce ao alho pôrro é também um dos directores dos Voluntários da Agulheta, entrou no quartel nervoso, afogueado e dirigiu-se ao Ivo Adjunto, a esbracejar: ”Passei ali pela Praça do Conde, andam lá a abrir um buraco e disseram-me que é um túnel aberto por ladrões, que passa por debaixo da rua e sai na caixa forte da caixa!”. “E o que é que nós temos a ver com isso?”, perguntou o Ivo. E acrescentou: ”É que também me disseram que os ladrões andam lá em baixo a acabar o túnel e só há uma maneira de os tirar de lá. Vamos com um auto-tanque e esguichamos água lá para dentro e eles ou saem ou se afogam! O Rolim Stones estava pasmada com o que ouvia e interrompeu: “Tem calma que não é nada disso! Aquelas obras na rotunda servem para construir um plinto para a estátua do conde que está ali no meio dumas árvores, suja e triste”. “Bem, se assim é, estou mais descansado”, disse o Fernando Granizo. “A estátua está num sítio onde nem as pombas entram e um monumento sem pombas a pousar na cabeça não tem dignidade nenhuma - e continuou - o que é bem feito é que ponham o conde de costas para o Luís Bastinhos, que me enganou, dei-lhe um dinheirão por um casado de alpaca escocesa e impingiu-me um de serrobeco”. *** * *** O Poeta Alegre veio a Águeda, terra onde nasceu e cresceu a jogar a bola no Adro e a correr para cima na Rua de Baixo e onde brotaram o estro e a inspiração para grandes poemas. Foi recebido, triunfante, pelas pérolas da cultura de Águeda, onde estavam também os vates Brás dos Kiwis, Fausto Olivença e Catula de Águeda, ranchos folclóricos, corais e bandas de música. O Paulo Assucena fez um discurso curto, mas profundo, ao que parece, pelas palmas que recebeu. ”Grande discurso”, comentou a Irene Colorau. E maIS “Foi denso e pouco entendi do que ele disse, mas falou pausadamente e com ritmo, isso é verdade!”. Estavam para aí uns 500 figurantes no palco do S. Pedro. Cantaram, tocaram, discursaram. E no final ninguém arredou pé. Esperavam que o homenageado subisse ao palco para agradecer. Passado algum tempo o Paulo Assucena foi microfone e disse: ”Desculpem, mas o poeta sentiu-se mal com a frio do tempo e com o calor da vossa recepção e ficou afónico e entupido de comoção...!”. O Jorge Gosta, ao ouvir a explicação do silêncio do poeta, disse ao Cestino Vi o Egas, que estava ao lado: “O Silva dos Farolins, presidente da UBA - União de Bandas de Águeda, também não discursou no aniversário da Banda Nova de Fermentelos, se calhar também estava afónico!”
943 vezes lido
|