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Alguém tirou a cabeça a pensar que poderia dar indicação de voto!

por Redacção Soberania em Junho 08,2011

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O Fernando Brincalhão, apoiado numa bengala de pau-preto, encastelada de prata, junto ao quartel dos Voluntários da Agulheta, falou mostrando na voz tons de indignação e nostalgia, mas com veemência: “Só nos tempos de hoje é que pode acontecer uma coisa destas! Antigamente havia respeito pelos valores, pelos ancestrais, que eram referências das terras e dos países...”.
“Mas que aconteceu?», perguntou o Rolim Stones, curioso.
«Já de certo ouviram falar no Neca Carneiro. Era um homem simples, mas dado a actividades culturais e desportivas e até aqui aos Voluntários. E, por isso, levantaram-lhe um monumento na Rotunda da Pauliceia, um busto em cima de uma peanha”.
“Isso sabemos nós – disse o Mar e Sal – quem promoveu essa iniciativa foi a Associação dos Naturais do Lado de Cá do Rio. Só temos pena de não haver dinheiro para lhe pôr também a parte de baixo, sempre lhe dava mais conforto”.
“Mas não sabe que foram lá e com fins insondáveis roubaram a cabeça? O valor dela era mais o simbolismo”, disse, indignado, o Brincalhão.
“Isso é verdade – observou a Irene Colorau – até porque a cabeça era oca, se fosse fundida não dava nem para moedas de tostão. E estava lá e não incomodava ninguém. E anda para aí tanta cabeça oca!”.
“Como isto aconteceu em época de campanha eleitoral, eu acho que foi alguém que a tirou a pensar que a cabeça poderia dar indicação de voto - disse o Seara Alheia – como diziam que o Neca Carneiro era republicano, tiraram-na para a direita ganhar, como ganhou! Foi algum reacionário!”.
“Eu não sou dessa opinião – disse reflexivo o Manel Quentinho – é que assentaram o busto com a cara voltada para os milheirais e havia um movimento que a queria voltada para a avenida e para a cidade e outro para a serra. E esses nunca se conformaram».
“Tem razão, se calhar foi isso – rematou a Irene Colorau – foram lá de noite para a virarem para outro lado e ela desatarraxou-se”.
“Se assim é, já me calo!” disse, resignado, o Fernando Brincalhão, com um aceno de cabeça!

*** *** ***
Os iluminados do Clube e o Pelouro do Turismo, Mercados e Comércio Externo promoveram no espaço peonizado da Rua de Cima, uma feira de mostras, outlet, bricabraque, ferro velho e ferro novo, quinquilharias e bazar. Com o aparato dos acontecimentos marcantes, o Gil Pedalais, acompanhado da nomenclatura do Clube, inaugurou o certame, cortando uma fita de nastro fornecida pelo Vasco dos Vestidinhos, espalhando cumprimentos e sorrisos cativantes, até porque era véspera de eleições. Entrou seguido de centenas de eventuais compradores.
“Aqui têm um blaser de alpaca alemã que dá bem com estas calças de flanela inglesa”, apregoava o Luís Bastinhos a apontar para um casaco de surrubeco.
Era grande o entusismo.
O Acácio Queirós do Vale anunciava, num cartaz em cima de uma banca, que tinha para vender, restaurador Olex, pasta medicinal Couto, navalhas de barba com serrilha para pelos duros, sabão macaco para escanhoar e álcool canforado e pó de talco da Índia.
A Manuela dos Cacos, estava eufórica: “Deviam fazer esta feira todos os dias. Já vendi um cão de louça que abana o pescoço e estrelas do mar e borboletas de Limoge, feitas em Alcobaça».
A certa altura, uma borbulha de inquietação perpassou pela feira, com falario e balbúrdia. As pessoas interrogavam-se a saber o que se passava e alguém informou: “Andam por aí uns polícias a virar as bancas do avesso, à procura da cabeça do Neca Carneiro!”.

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