Novo Mundo...
Baldados têm sido os esforços para estancar a hemorragia de massa monetária despejada nas instituições de crédito sedeadas por esse mundo fora. Não será mesmo assim mas na realidade dá vontade de reconhecer que quanto mais dinheiro é injectado maior é a desconfiança patenteada pelos investidores. As transformações que têm ocorrido nestes escassos anos do século ainda há bem pouco iniciado, podem já ser consideradas como das maiores e mais profundas que a humanidade tem suportado desde que atingiu o que poderemos considerar - usando alguma liberdade de linguagem - como «idade da razão» E a procissão poderá ainda estar a alguma distância do Adro. Efectivamente, raros são os dias em que, no mundo, não despontam nem acontecem novidades significativas dignas de registo, a maior parte das quais susceptíveis de nos virarem os pés pela cabeça. O planeta que habitamos renova-se a cada instante, o que não quer dizer que parte das transformações ocorridas mereçam ser enquadradas no «admirável mundo novo» fantasiado por Aldous Huxley, muitas das quais - sejamos sinceros – estão bem longe de ser admiráveis… Ora, como dizia acima, este mundo novo está precisamente a sofrer uma das mais profundas transformações de que haja memória. E pelos vistos não se tornará necessário regressar ao costumeiro e sangrento tilintar das armas: será suficiente que se alterem as regras da actividade económica. Na realidade, a tentativa de pôr termo ao direito de propriedade por iniciativa de Marx e Engels - sobretudo quando ilimitado - arrastou consigo o termo das desigualdades económicas sem freio nem limites, pondo cobro à passividade com que se assistia ao acentuar do acumular da riqueza na posse de meia centena de nababos contrastando com a pungente miséria dos muitos milhões de excluídos e esfomeados cuja existência é, por si só, susceptível de pôr em causa a dignidade da condição humana. Agora parece caminhar-se, finalmente, em sentido contrário mas nada garante que acabemos por não conseguirmos libertar a nudez forte da verdade envolta no manto diáfano da utopia. Aguardemos, então com a possível serenidade, o que vem aí. Para vivermos num mundo melhor não será necessário que os pobres passem a ser ricos. Será mais do que suficiente que os pobres de hoje participem na suficiência do amanhã. E nem sequer será indispensável que os ricos de hoje deixem de o ser., convertendo-se em pobres que já foram ricos. Podem continuar ricos, desde que o excesso da sua abastança não ponha em causa o conveniente equilíbrio entre os que tudo possuem e aqueles que nada têm. Poderá não ser fácil mas impossível certamente não será.
Apostila: A ignorância merece ser tratada talqualmente a vingança - a frio. Sabem porquê? Porque se não fosse assim raros seriam os que não sofreriam queimaduras de terceiro grau! Imagine o leitor que um dia destes um licenciado me confessou nunca ter ouvido falar no marechal Craveiro Lopes… para já não referir o idiota que afirmou ter sido Salazar o líder do 25 de Abril. Qualquer dia aparece um cretino a ressuscitar D. Afonso Henriques ...
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