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Economia: FUNDIVEN labora há três décadas e mostra-se preparada
Ricardo da Graça Rodrigues Anjos, de 72 anos, é o presidente do conselho de administração da Fundiven - Fundição Venezuela, SA. Uma empresa que “está preparada para o futuro”.
A empresa, sedeada na Zona Industrial Sul, no Vale do Grou, completou 30 anos no início do ano e produz, em especial, para o mercado francês e alemão. O volume de negócios, em 2007, ultrapassou os 8,5 milhões de euros e as previsões para 2008 são animadoras: deve chegar aos nove milhões de euros. SOBERANIA DO POVO (SP): A Fundiven completou 30 anos no início de 2008. Valeu a pena? RICARDO ANJOS (RA): Acho que sim. É certo que tivémos um início muito triste... Eu e o meu primo Vitor Almeida chegámos a oferecer as nossas quotas, sem quaisquer encargos, a vários industriais de Águeda e ninguém as quis! No ano de 1981, ainda estávamos na Venezuela, encontrámos aqui um buraco de 12.000 contos, o que, ao tempo, era muito dinheiro!... Foi preciso muito sacrifício para retomar o bom caminho. SP: Que recordações lhe vêm à memória dos tempos da criação da Fundiven? RA: Recordações muito más! Acreditei nas pessoas que aqui estavam - tinham, até então, uma folha de serviços mais ou menos -, mas a desilusão foi enorme... Desse modo, em 1983 tivemos que fazer uma “limpeza” parcial. E, em 1992, procedemos à “limpeza” total. SP: Como é que está o mercado da fundição injectada de metais não ferrosos? RA: Anda um bocadinho por baixo, mas a crise é internacional! Nós trabalhamos muito para o mercado automóvel e ressentimo-nos um pouco da crise generalizada. Mas, na globalidade, não temos grandes problemas porque todos os anos procedemos a grandes investimentos em maquinaria da mais alta tecnologia. Só este ano, o investimento chegará aos 700 mil euros. SP: Qual tem sido a base para a afirmação deste projecto empresarial? RA: Olhe, na Venezuela dizia-se que “camarão que dorme, a corrente leva-o”. Eu estou aqui todos os dias às sete da manhã! Temos tido uma preocupação muito grande em acompanhar as exigências dos nossos clientes, em França e na Alemanha. Temo-nos modernizado com ferramentas automáticas. Somos, por exemplo a única empresa de Águeda que dispõe de um Raio X, para aquilatar da porosidade das peças. Não podemos parar! SP: Quais são, agora, as metas imediatas da Fundiven? RA: É preciso continuar a apostar em tecnologia e automatização. Queremos estar sempre na ponta! Fomos, em 1995, a primeira empresa portuguesa do ramo da fundição com o Certificado de Qualidade ISO 9001, pelo Istituto Português da Qualidade. SP: Sente-se motivado para os desafios do futuro? RA: Sinto! E estou a preparar quadros para qualquer dia ter umas “férias” descansadas... SP: A morte do seu sócio, Vitor Almeida, foi dos momentos mais difíceis... RA: Sim... Muito difícil! Eu talvez tenha sido a pessoa que mais sofreu com a sua morte. Íamos fazer 50 anos de sócios em 2010! Sempre fomos muito amigos. Era uma relação mais intensa do que se fossemos irmãos! Ele está sempre presente comigo (aponta para uma foto emoldurada, sob a secretária, em que se vêem abraçados). Parece que não, mas já vai fazer dois anos, em 30 Março, que o Vitor faleceu. SP: O que será necessário para a empresa se expandir? RA: A via rápida para Aveiro e para Coimbra! Todos os anos, em Setembro, vêm cá os políticos “papa-leitões”, trazem um mundo de promessas, mas não fazem nada. SP: Mas agora parece que... RA: De conversa, está o mundo cheio! Isso são promessas! Enquanto não vir a obra feita... Olhe, tinha esperança que esta Câmara fizesse mais! Tenho simpatia pelo presidente e pelo Jorge Almeida, sinto que têm feito alguma coisa, mas deveriam mostrar mais garra. O presidente devia visitar as empresas, ver as carências com que nos debatemos e, dentro das suas possibilidades, determinar medidas para a sua resolução!... Ver edição SP impressa
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