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O fim do neoliberalismo e as especulações bolsistas

por NELSON LEAL em Outubro 09,2008

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Há quem lhe chame um”tsunami”. Outros, o 11 de Setembro do capitalismo. Alain Greenspan, antigo boss do Fed (uma espécie do “Banco de Portugal” dos EUA), não tem dúvidas em catalogar a presente crise financeira mundial, como a mais grave de sempre.
WALL STREET: Um furacão, cujo olho negro se encontra em Wall Street e que ainda não atingiu o nosso país. Mas a negritude das nuvens e as primícias da ventania já o fazem anunciar…
Penso que a única certeza que a economia tem, é que “não existem almoços grátis”. Louve-se-lhe a humildade do reconhecimento de não ser ciência exacta. Tudo nela funciona na base do empirismo, na psicologia social e numas tantas alavancas, salgalhadas numa tal econometria de pendor duvidoso.

Bolsas mundiais

Confesso que nunca me senti confortável com o meu futuro e o dos meus, dependente de um sobe e desce esquizofrénico das bolsas mundiais. Bastava um franzir de sobrancelhas do senhor Hank Paulson, secretário do Tesouro americano ou um vídeo de Bin Laden, para que as bolsas caíssem a pique, o anúncio de um hipotético furo de petróleo para que atingissem a estratosfera ou umas combinações de uns tantos magnatas, para que, artificialmente, da noite para o dia, se ganhassem fortunas especulativas incalculáveis. Mas, que interessava? Os países emergentes cresciam a dois dígitos, a economia mundial avançava, sem rédeas e assim, que importa o aquecimento global, a escassez de recursos e outras balelas que uns tantos intelectuais andam para aí a badalar, à procura de protagonismo fácil? A economia mundial logo que corra.. E el corria, indiferente, corria, desenfreada… para o abismo.

As raízes do problema

Toda a doença tem uma causa. Mesmo que a doença seja genética, incontornável e incurável. Uma causa que até pode ser risível, uma simples gripe, mas que irá disparar todos os parâmetros daquela doença e afunilar, sem remédio, todos os seus efeitos fatais.
Uma gripe, como o chamado sub-prime (empréstimos de alto risco e a juro alto) que, no seu afã competitivo, os bancos americanos concederam, sem limites a clientes sem recursos, para a compra de casas. Mas os juros subiram mais do que era suposto, tinha que acontecer, era inevitável e os devedores deixaram, simplesmente, de pagar…
FALÊNCIAS: Houve desespero e muitas falências. Era o primeiro sinal da doença! As bolsas, histéricas, em efeito de dominó, não paravam de oscilar. Depois, veio a crise alimentar e o petróleo. Em ondas especulativas, os índices bolsistas subiam, embora não rareasse o petróleo e os preços dos produtos alimentares disparavam, como se uma imensa praga mundial tivesse, de um dia para o outro, destruído as colheitas agrícolas.
Mas, se a economia se ressentia, o mundo financeiro, apesar destes pequenos abalos sísmicos, indiferente, continuava neste jogo de “play-station” virtual, a desafiar a lógica e o futuro. Com o beneplácito do poder norte-americano.

O problema

A firma Lehman Brothers, era uma firma poderosa, respeitada e credível. Quando as coisas correm bem, pode-se apostar à vontade, que o dinheiro rende sempre. A Lehman emprestava 35 vezes o valor dos seus activos e sempre a ganhar. Os honorários dos seus dirigentes eram principescos e a firma chegou a alugar à Time & Life Building 12 andares de uma zona de Manhattan, por 350 milhões de dólares, por 10 anos. Mas bastou um pequeno abanão nos índices… e tudo foi por água abaixo. E, em cadeia, entraram em processo de falência, a principal seguradora americana, a AIG, que tem nos seus activos 70 milhões de clientes, a Goldman e a Morgan Stanley.
700 MIL MILHÕES: Bush, célere, esquece as filosofias e a coerência e “nacionaliza” a AIG. Mas a gelatina treme, não há forma de a estabilizar. Bush promete injectar 700 mil milhões de dólares (coisa pouca, 15 vezes o nosso Produto Interno), o mercado acha pouco e o Senado acha muito, sempre são 700 mil milhões que os contribuintes vão ter que pagar… As bolsas mundiais ululam de nervoseira, os governos, amedrontados, cobrem bem a cabecinha por debaixo da areia, à espera que a tempestade passe e o povo tranquilo, vai-se entretendo com outros Momentos da Verdade  e com as peripécias da bola.

Milhões nos bolsos

Os líderes mundiais procuram soluções. Sarkozy diz que isto é o fim de um certo tipo de capitalismo. Bush que já tem a solução na manga, acha que tudo se resolve injectando muitos, muitos milhões nos depauperados bolsos dos banqueiros. Cavaco e Sócrates, à uma, acreditam que a solução está na regulação da actividade financeira. Eu, como não acredito em nada disto, vou mas é levantar os meus trocos do banco e pô-los, muito quietinhos, debaixo do colchão. Por via das duvidas e apesar das dívidas.
A bem da Nação.

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