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A insegurança na ordem do dia!

por António Silva em Agosto 27,2008

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A insegurança é um fenómeno até há pouco desconhecido entre nós, mas chegou em força e para ficar, se não houver, entretanto, medidas adequadas à repressão do abuso de liberdade.
Já não há métodos nem locais seguros! A insegurança atinge tudo e todos ao ponto de já ninguém se sentir seguro dentro da sua própria casa.
Os Bancos são assaltados em plena luz do dia com técnicas apuradas e cenas dignas dos filmes americanos, que marcaram a nossa juventude nos anos 50/60.
Assaltam-se os carros blindados de transporte de valores com os mais sofisticados meios e mais descaradamente do que quando se roubavam as laranjas do vizinho.
 Os salteadores avançam a qualquer hora, armados até aos dentes e, entre as vítimas, há de tudo. Das gasolineiras às ourivesarias e dos estabelecimentos públicos às casas particulares. Só com muita sorte é que alguém escapa à onda de marginalidade que assola o País!
Os meliantes, mesmo em pleno dia, atacam sem qualquer disfarce. Até a igreja, onde as pessoas se recolhem para as suas meditações deixou de ser lugar seguro.
Antigamente, os salteadores faziam as suas visitas a esses locais pela calada da noite e a horas mortas, sempre com o intuito de surripiar algum utensílio de culto fabricado em ouro ou prata e, por arrasto, faziam a limpeza à caixa das esmolas.
 Hoje, porque o ouro e a prata escasseiam nesses locais e as caixas das esmolas estão vazias, os marginais assaltam os que procuram na igreja o lugar de reconciliação consigo próprios, numa meditação em recolha e aproveitam a simplicidade das vítimas para fazerem muitos estragos.
A nossa vida é uma lotaria sem sabermos quando nem onde vamos ser atacados por malfeitores cujo lugar era uma penitenciária de trabalhos forçados, que lhes quebrasse o intimo de malvadez que cultivam.
Hoje não há lugar nem hora segura! Porquê?
As respostas podem ser muitas... Desde as frustrações à falta de trabalho. Mas não! O que leva os meliantes a cometer crimes é o sentimento de impunidade que se instalou, em consequência das penas aplicadas aos prevaricadores da lei.
 Nos tempos que correm, são mais penalizadas as infracções ao código da estrada do que os abusos a pessoas e bens, mesmo que se recorra a armas letais.
O governo deu, há dias, um bom sinal e um exemplo de dignidade quando elogiou a actuação da polícia no resgate dos sequestrados do assalto a uma depêndecia bancária da capital, em que morreu um dos criminosos.
Exemplos como este, mau grado a perda de vidas, são absolutamente necessários para o restabelecimento da paz pública e para que possamos, daqui por algum tempo, andar como antigamente, tranquilos, sem termos que espreitar em cada esquina a ver quem nos espera do outro lado da rua.
Depois, se o polícia na peleja pela detenção sair ferido, não há qualquer problema: vai ao hospital, faz o curativo e paga a conta do seu bolso. Mas ai do polícia se, na refrega, fizer algum arranhão ao bandido!
Aí, será alvo de um processo de averiguações e terá muita sorte se passar sem um correctivo disciplinar. Este mundo está mesmo de pernas para o ar!
O marginal sabe que, mesmo apanhado em flagrante, o mais que o polícia pode fazer é levá-lo ao juiz. E que este, para cumprir a lei, tem que pô-lo em liberdade.
Que figuras tristes fazem os polícias quando correm riscos para prender o agressor, malfeitor e ladrão e o vêem chegar primeiro a casa...
E os juízes, que frustração sentirão quando são obrigados a libertar os criminosos para cumprir leis feitas à medida de alguns anormais que o povo elege!
Se isto é progresso, preferimos o tempo em que passávamos fome, mas sentíamos segurança e liberdade de movimentos.
Que saudades!
 


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