A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) é uma instituição feita por voluntários, sem fins lucrativos. Responde às necessidades dos excluídos da sociedade e, mais do que isso, procura integrá-los psicológica, social e profissionalmente.
Nestes tempos de crise, com o exército de excluídos a aumentar todos os dias (e hoje já são, neste concelho, mais de 600, aqueles a quem a CVP apoia), toda a solidariedade é pouca, para que esta instituição possa cumprir a sua nobre missão.
César Marques, presidente da direcção, está confiante. “Temos sempre vindo a aumentar a nossa resposta social e estrutura física”, explicou. “Somos uma pequena empresa, a ser gerida ao cêntimo, porque os nossos recursos são escassos”. Mas há boas noticias: “Vem aí mais uma ambulância”.
SOBERANIA DO POVO (SP): Como define a delegação de Águeda da CVP?
César Marques (CM): A Cruz Vermelha é uma instituição feita por voluntários, sem fins lucrativos, mas com muitos projectos, com acordos com a Segurança Social, para melhor combatermos os fenómenos de exclusão social. A CVP de Águeda, desde há cerca de 10 anos que tem vindo progressivamente a aumentar a sua resposta social e estrutura fisica. Pela sua polivalência, foi possível criar já duas áreas, a emergência de socorro e a emergência social. Ultimamente, desenvolvemos, também, a Área Cultural, tendo criado um Coro Misto com 45 coralistas.
SP: Que estrutura humana têm ao vosso dispôr?
CM: Contamos com 38 assalariados e 45 socorristas e voluntários de apoio geral. Já somos uma pequena empresa, que tem que ser gerida ao cêntimo, porque os recursos financeiros disponíveis são muito escassos.
SP: Com que recursos financeiros contam?
CM: Os fundos decorrem de acordos existentes com a Segurança Social, do Programa Operacional de Formação e Desenvolvimento Social (POFDS) e do serviço de ambulância que temos,
OITO VIATURAS
SP: De quantas ambulâncias dispõem?
CM: Para apoiar este serviço de ambulâncias, que é o principal rendimento da delegação de Águeda, temos um grupo de voluntários e oito viaturas de socorro e transporte de doentes. Antes do final do ano, iremos ter mais uma ambuância para o transporte de doentes. Também assinámos um protocolo com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em 2005, passando a ter um Posto de Reserva em emergência pré-hospitalar.
SP: Que acções desenvolvem na preparação operacional de novos quadros nessa área?
CM: Temos cursos de Primeiros Socorros, com formador credenciado. São cursos muito procurados pelas empresas e pela população em geral. Esses cursos têm uma carga horária de 24 horas, que se distribuem por seis dias, durante a semana. No final, é feita uma avaliação e os formadores são credenciados com diploma e crachá.
SP: E existe limite de inscrição para cada curso?
CM: Os cursos funcionam com um mínimo de 10 candidatos e com um máximo de 12. As inscrições ainda estão abertas para um curso que se irá realizar brevemente. Neste momento, porém, decorre um Curso de Preparação Básica para Tripulantes de Ambulân-cia, que vai ter uma duração de 90 dias.
SP: Mas o vosso grande desígnio é a área social. Como define a vossa acção nessa área?
CM: Temos um serviço social de que muito nos orgulhamos, pelo serviço que vem prestando à comunidade. Um serviço que se desdobra em várias respostas sociais...
SP: Como, por exemplo?...
CM: Temos um Centro Comunitário, que inclui o apoio de 16 técnicos, que dá resposta a todos os que careçam de apoio, um Centro de Alojamento Temporário para Passantes e Sem Abrigo e temos, também, um Protocolo de Rendimento Social de Inserção, com uma equipa técnica que tem por objectivo acompanhar os beneficiários com programas específicos de integração. E não nos podemos esquecer do Projecto “Asas Pró Futuro”, que tem como objectivo apoiar as minorias.
SP: A Câmara tem apoiado?
CM: Esse é o problema. Segundo o regulamento da autarquia, só é beneficiado quem comprove o investimento feito, mas é dificil avaliar o nosso investimento, devido à impossibilidade de o quantificar nos moldes e nos modelos préviamente definidos e que não são conformes à nossa realidade.
SP: Quantas pessoas apoiam?
CM: Mais de 600!
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