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Férias em Agosto? Nem pensar!

por Carlos A. Abrantes em Agosto 13,2008

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Em Agosto fico em Águeda. Pode parecer heresia, mas é verdade. Sou uma espécie de bicho raro que não vai para a praia no Verão. Porque não gosto de escaldões, nem de confusão, nem de areia nas virilhas, nem de gente que aproveita o areal para jogar à bola ou para lançar discos que nos acertam e que, depois de nos pedirem desculpa, continuam a fazer-nos de alvo.
Não se pense que não gosto de praia e de mar. Adoro as nossas praias, os nossos extensos areais, o cheiro a maresia. Adoro os longos passeios junto ao mar, as gaivotas e o por do sol. Adoro a praia no Inverno, na Primavera e no Outono, com frio ou calor, com vento ou chuva, mas sem veraneantes. Sem turistas portugueses, espanhóis ou de outras proveniências que estendem as suas toalhas, toldos e cadeiras, em cima de nós. E que gritam com as criancinhas e falam aos berros. Falam tão alto que metade da praia fica a saber o que fazem, quanto ganham, o que comem e com quem fazem sexo. Fica a vidinha toda ao léu. As sogras, as cunhadas, as sobrinhas e as vizinhas são um poço de defeitos! Os maridos, os filhos e o resto da família são uma cambada!
Gosto de Águeda em tempo de férias, é um sossego.
Evito viajar em Agosto, mesmo por obrigação profissional. Neste mês, qualquer que seja o destino, somos imediatamente considerados turistas e tratados como tal. Nos hotéis cobram-nos o dobro e prestam-nos metade da atenção. O pessoal, sazonal e contratado a prazo, não tem experiência, nem qualificação, nem pachorra para nos servir. Os quartos são arrumados demasiado tarde, por falta de pessoal, ou demasiado cedo, pela mesma razão. As piscinas, os ginásios e os bares estão atulhadas de gente que, tendo comprado pacotes “tudo incluído”, quer mesmo consumir tudo. Tudo e mais alguma coisa, porque não é raro encontrar quem aproveite os bufetes para levar alguma comidinha, à socapa, para os quartos. Não vá dar-se o caso de faltarem os pastéis de nata, ou a manteiga, ou as bananas…
E os restaurantes? Sempre a abarrotar de gente, com longas filas para comer fêveras de porco, douradas de viveiro e frango de churrasco. Ou para comer uma paelha que não vai além de um mau arroz com amêijoas e camarões de conserva. E, quando consultamos o menu e pedimos um prato mais elaborado, informam-nos que já esgotou, mesmo quando somos o primeiro cliente!
E a conta? A conta é sempre uma surpresa, normalmente desagradável. Ou porque inclui as entradas que não comemos, ou porque o prato que escolhemos constava na lista por dez e aparece debitado por vinte, ou porque houve um engano… Acaba-se sempre a pagar rojões ao preço de filet mignon e carapau ao preço de lagosta!
É por todas essas razões que eu nunca gozo férias em Agosto. Por isso e porque o carácter sazonal da minha actividade não mo permite!
- carlos-a-abrantes@clix.pt



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