E viva España!...
Já que não ganhou a lusa pátria o Euro 2008, ao menos, graças a Deus!, lá o ganharam “nuestros hermanos”. Se já somos uma província autónoma não declarada, se o nosso prémio Nobel Saramago já é espanhol, se o nossos bancos já são espanhóis e se os outros "ses" também já vão sendo espanhóis, porque não será ao menos nossa, esta imensa alegria espanhola? Mas estas bodas a prometerem casamento para toda a vida, ainda não vão ficar por aqui. Já se anuncia a candidatura conjunta dos noivos ibéricos à organização de um dos próximos Mundiais de Futebol. E imagine-se lá, a esquadra invencível reforçada com os naturalizados Cristiano Ronaldo e Simão e com os renaturalizados Pepe e Deco! E imagine-se então, esta provincia à beira mar plantada, com o “gasoil” ao preço espanhol, com os nossos esqueléticos ordena-dinhos a triplicarem de valor, com as nossas miseráveis pensões de reforma a quadruplicarem de importância e os ordenados mínimos a darem um pulito para o dobro!... Ah bendito Miguel de Vasconcelos, que, em má hora fostes martirizado pelas hostes bragantinas, no antanho ano de 1640! Mártir fostes e herói serás! Nuestra história assim o exige... Desculpem-me esta comoção patriótica, mas não é todos os dias que celebramos o feito heróico de sermos campeões europeus. Esta valente esquadra que varreu os panzeres alemães, congelou os ursos russos e banalizou os sparguetti italianos, de indomável sangue íbero e incontornável raça lusa, fez-nos sentir, como nunca, também um povo de Castela e de Aragão, a quem um arrenegado dom Afonso Henriques, traiu, traindo também a desgraçada da mamã, na vergonhosa batalha de São Mamede. Só lamento, nesta hora de vitória, não vermos amiúde, aquelas épicas bandeirinhas amarelo-vermelhas, a bordejarem a coroa real, espalhadas pelos automóveis, pelas janelas, pelas televisões, pelos quartos e pelas retretes. Não, estou certo que tal não foi um sinal de ausência de patriotismo, foi mesmo um problema de stock, não havia bandeiras em carteira, houve para aí uns arrenegados que nos quiseram impedir de celebrarmos com patriotismo, a alegria de sermos campeões da Europa! Dizem que, com cada Europeu, vem uma nova filosofia. Ele é uma espécie de montra, onde se vislumbram novas modas que hão-de vir. Ainda bem: este Europeu trouxe-nos um futebol espetáculo como há muito não se via, trouxe-nos fair-play e trouxe-nos mais saúde desportiva. Esperemos que, pelos nossos campos, esta mensagem seja bem acolhida e que, de uma vez por todas, limpemos a péssima imagem que “o sistema” e alguns dos nossos dirigentes conspurcaram durante tantos anos. A bem da España!
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