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Associações e os subsídios

por MANUEL FARIAS em Julho 02,2008

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Na semana passada participei num trabalho deste jornal sobre o movimento associativo aguedense. Enviei respostas às 4 questões colocadas, porém fui excessivo nas opiniões e a paginação disponível obrigou a reduzir o texto, alinhando com a extensão concedida aos restantes entrevistados. Esta coisa da equidade é boa e justa, todavia, paradoxal e inadvertidamente, o sentido das minhas opiniões acabou por ser tão alterado, que é exactamente oposto às minhas convicções pessoais, que mantenho há muitos anos e que já no passado defendi nas páginas deste semanário, em particular no que respeita à política de subsídios: o contributo mais importante que uma autarquia pode dar ao movimento associativo do seu concelho é o apoio estratégico e não financeiro, como irei fundamentar abaixo.

INOVAÇÃO E QUALIDADE
Fazem falta mais e mais associações… se forem inovadoras e interventivas, seja qual for a área de actividade e o local da sua sede. Por exemplo, na área social é urgente que sejam lançadas associações para cuidar da 3ª idade, em particular na ocupação dos seus tempos livres e na rentabilização social, económica e cultural da sua experiência de vida, sem resumir o essencial desta acção social a criar e manter os armazéns de velhos e acamados em que se transformaram os lares de idosos.
Na área cultural, faltam novas associações, ou a transformação das existentes, que orientem as suas actividades para provocar e moldar novas mentalidades e não apenas ir ao encontro da moda e do trivial, que apenas reforça e acomoda o status. Nas áreas desportiva e recreativa, procuro e não encontro associações que levem os cidadãos para a rua, para o parque, para o campo, para a cidade, para os rios, em vez de os instalar na bancada, no sofá ou de os atirarem para os corredores dos hipermercados.
A natureza bafejou o concelho de Águeda com uma riqueza ambiental que causa inveja a quem nos visita e conhece. Mas é preciso que este património natural seja reconhecido internamente e utilizado a favor da nossa qualidade de vida. Nesta área, o associativismo tem muito para dar e para ganhar.

RENTABILIDADE
Os responsáveis associativos devem pedir ou mesmo exigir que a Câmara Municipal nos proporcione mar ou acesso ao mar, que nos ajude com formação para dominar as técnicas apropriadas, que nos apoie na aquisição ou nos empreste apetrechos e instrumentos, mas… não vá pelo caminho mais fácil de nos dar o peixe, como foi política municipal exclusiva ao longo de 30 anos em Águeda.
Nada tenho contra o facto das bandas pagarem milhares de euros anuais a cada um dos seus componentes, mas não estou de acordo que essa factura caia na Câmara Municipal, pois é muito iníqua em relação às restantes colectividades culturais, desportivas, sociais e recreativas. Pela mesma lógica, os clubes desportivos (o futebol em particular) teriam todos os problemas resolvidos: contratariam os atletas, contando que os encargos seriam suportados pela Câmara Municipal. E as associações sociais? Poderiam juntar o conjunto dos recibos de salários pagos ao seu pessoal e reclamar que a Câmara Municipal suportasse uma parte?
Sendo certo que cada actividade possui aspectos peculiares, também é verdade que “quem não tem barriga para caldo não vai para o convento” e, por exemplo, se um festival de folclore apenas custa dinheiro e não tem receitas, o grupo de folclore não pode esperar o “socorro” da Câmara Municipal; antes de mais, deve questionar-se sobre o modelo organizativo do festival e sobre a sua capacidade mobilizadora de muito, muito público e não apenas os grupos participantes que se vêem e apoiam mutuamente e alguns familiares que os acompanham. Foi estritamente por esta razão que, em 2006 n' Os Serranos acabamos com o festival Encontros à Porta da Serra e, em 2007, lançámos o Vinizaima do Chão, em parceria com a autarquia e outras colectividades de Belazaima do Chão.
Quem me conhece sabe que defendo, publicamente e desde a década passada, que as colectividades não devem ser subsídio-dependentes, organizando o seu quadro de actividades apoiado nas receitas próprias que cada uma delas proporciona. Se as associações existem para concretizar um projecto ou uma missão, terão necessariamente um conjunto de produtos para vender ou de serviços para prestar que proporcionam rentabilidade e cobre o essencial dos encargos.

COOPERAÇÃO INTER-ASSOCIATIVA
Em alternativa ao cheque eleiçoeiro e partidarizável, é fundamental que a Câmara Municipal disponibilize apoios e condições locais para que os produtos culturais e a prestação de serviços sociais, recreativos e desportivos sejam a fonte de receita fundamental para as associações. Propostas não faltam: a formação, as infra-estruturas e os equipamentos para uso comunitário, a organização de projectos inter-associativos, a promoção da imagem externa, o incentivo à criatividade e à inovação, a disponibilização de serviços internos da autarquia e o seu envolvimento nos projectos relevantes, em particular quando resultam da cooperação e da parceria.
O próprio fomento do inter-associativismo é uma área que deverá merecer atenção e investimento por parte das autarquias, seja a nível municipal, seja nas freguesias, através da organização de projectos conjuntos, em parceria e não apenas de projectos apoiados.
O AGITÁGUEDA é um exemplo excelente do apoio inovador que a Câmara Municipal concede a muitas colectividades do nosso concelho. Encaixe financeiro? Certamente… mas apenas para quem for criativo, tiver iniciativa e se disponibilize a trabalhar com qualidade, num contexto de cooperação inter-associativa. n MF


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