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Quem haveria de sizer!…

por Manuel José Homem Mello em Junho 18,2008

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Se ainda fosse razoável admitir a tese formulada por Fukuyama sobre o que apelidou «O Fim da História», a situação que desde há alguns anos vem caracterizando a conjuntura sócio-política, sobretudo nas chamadas democracias europeias, remeteria a teoria do nipo-americano para o caixote do lixo das ideias políticas.
Deixemo-nos, todavia, de exageros. Nem tanto ao mar nem tanto em terra.
A adopção da legitimidade política resultante do sistema electivo - um homem; um voto -  continua a merecer a concordância e o respeito que lhe são devidos, mas não conseguiu, ao contrário do que  se chegou a pensar, impor-se hegemonicamente de modo a lançar no esquecimento outros ensaios de soluções político-ideológicas. Enquanto a espécie humana perdurar, a História não acabará, mantendo o fluxo e refluxo próprios da inconstância e insatisfação humanas.
Os dois últimos séculos foram ideologicamente dominados por três correntes de pensamento: a demo-liberal, a corporativa e a socialista. Em vista do resultado das duas grandes guerras, a corrente corporativa, baseada em governos autoritários ou mesmo totalitários, pareceu  que teria os dias contados.Com o desaparecimento dos caudillos (Hitler, Mussolini, Franco, Salazar e tuti quanti…) acreditou-se que a doutrina tinha fenecido sem qualquer hipótese de ressurreição. O socialismo foi-se aguentando bastante mais, embora a derrocada do comunismo soviético tivesse apanhado toda a gente desprevenida.
Foi então que o demo-liberalismo se instalou, mais forte do que nunca. Mas não tanto quanto chegou a parecer. Os movimentos e manifestações de rua provenientes de interesses corporativos ressurgiram caudalosamente, inundando, com os seus protestos, as ruas e as praças de cidades vilas e aldeias, invocando aquilo que o então Presidente da República Mário Soares chamou de «direito à indignação»
A extraordinária capacidade de mobilização recentemente revelada pelas associações profissionais, capazes de colocar nas ruas dezenas de milhar de trabalhadores cuja única afinidade é sectorial, essa capacidade mobilizadora, faz-nos pensar que, afinal, o tempo sempre consegue voltar para trás. Qualquer dia teremos outra vez uma Câmara Corporativa porventura presidida pelo engº. Francisco Vanzeler.
Cuidado, muito cuidado. O Cabo das Tormentas pode fazer naufragar a caravela da Liberdade.
n  MJHM
(Director Honorário SP)

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