Sonho realizado. pesadelo encontrado!!!
Muitos milhares de alunos entraram na recta final dos seus cursos. Cursos que, para alguns, começaram pouco depois de conseguirem o equilíbrio dos primeiros passos e se prolongaram por mais de 20 anos entre o “b-a-ba” e as mais sábias expressões idiomáticas, álgebras, composições e fórmulas mais complicadas. Agora, já homenzinhos com idades entre os 20 e os 25 anos, conforme o curso que fizeram, viveram já angústias bastantes para serem dignos da nossa admiração. Mas o que mais merecem, ao fim de duas décadas de escola, é um posto de trabalho onde possam, dignamente, aplicar e desenvolver os seus conhecimentos académicos e enriquecê-los no mundo prático do trabalho em que forem inseridos. Acabam-se as teorias, passa-se à prática, neste mundo onde a realização do primeiro sonho foi, finalmente, alcançado quando se atingiram os objectivos da primeira fase da vida: a escola! Escola onde, durante aproximadamente, duas décadas, o aluno se submeteu às exigências dos nem sempre compreensivos, às vezes mesmo rabugentos, professores e às não menos chatas impertinências de alguns colegas e vigilantes. Pelo meio, ficaram os recados dos pais e as noites de estudo até à exaustão com, pelo meio, lágrimas de desânimo, à mistura. Começaram a cumprir-se regulamentos, horários, viagens e intempéries desde o berço. Alguns, raramente viram a mãe à luz do dia e poucos sabem o que é um colo porque apenas conheceram o berçário. Terá valido a pena? É a interrogação que muitos, pais e filhos, fazem no dia seguinte ao final do curso. Ontem, rodeados de amigos, estralejaram foguetes e misturou-se o champanhe com lágrimas de alegria, lágrimas que assomaram de novo, logo no dia seguinte, mas agora com a amargura de quem, debalde, procura o primeiro emprego, sentindo-se vítima da instabilidade que o País atravessa, resultante da ordem social reinante. É nesses momentos que começamos a perceber que os governos, quase todos os governos, tratam os seus cidadãos como números estatísticos sem pensarem, por um minuto que seja, que enquanto houver um desempregado a viver de esmolas, nenhum governo deveria deixar de sentir o que um pai sente quando tem um, entre outros filhos, doente ou em dificuldades, a passar fome, infeliz. Mas o governo só é pai de alguns. Para a maioria, é apenas padrasto! O que irão fazer daqui a poucos meses esses milhares que estão a completar o curso? O País dar-lhes-á oportunidade para desenvolverem uma actividade compatível com a sua formação e assim contribuírem para o desenvolvimento da nossa economia ou, para desilusão, também dos seus professores, irão parar ao desemprego? O que aprenderam garantir-lhes-á o pão de cada dia neste torrão que é seu, ou terão que emigrar, como os seus tetravós fizeram, para fugir à fome, como acontecia há tempos não muito distantes? Os cursos com que se debateram e os seus pais se sacrificaram são um prémio ou um castigo que servirá apenas para lhes dar maior consciência do que é ser licenciado desempregado, aumentando assim a sua frustração? Oxalá, estivéssemos enganados, mas pelo rumo que as coisas levam, o sonho da nossa juventude pode, muito bem, virar pesadelo logo no dia seguinte ao último exame.
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