Clube da Venda Nova: Ninguém me tira dez quilómetros por dia!
Os Amigos de Aguada de Cima subiram de divisão no futebol, com grande merecimento, mostrando sempre superioridade.
Em Aguada, houve festa rija, panos com letras garrafais a saudar os atletas, todos em cuecas, porque lhe tiraram os equipamentos para recordação. Ali estavam, vaidosos, os dirigentes no meio de festões, grinaldas e de crianças com bandeirinhas, música ao vivo pelo conjunto “ Os Amigos da Música”, do maestro Moreira, do “Pé na Areia!”. Junto ao pelourinho, perante uma pequena multidão, o presidente Zé Oliva pegou no microfone e em voz metálica e entusiasmada, proferiu caloroso discurso, dizendo a concluir: “Estou com uma alegria tão grande, que até tenho a voz embargada. Somos vila há mais de dez anos e bem merecemos ter quem nos represente nesta subida ao escalão máximo do futebol distrital”. E não conseguiu dizer mais nada, porque começou imediatamete a chorar. De imediato, subiu ao estrado o Avelino do Tiago, director do futebol, que também muito emocionado, disse: “Foi grande o nosso esforço, para honrar a nossa terra. E sentimos que trouxemos tanta alegria que prometemos descer outra vez no fim da época, à segunda divisão, e depois subir de novo, para daqui a dois anos haver outra festa como esta!”. No meio da mole humana, falava-se no futuro do concelho e na sua proeminência. “Por aquilo que ouço e que li nas capas dos jornais onde diariamente passo os olhos, Águeda foi objecto de reflexão e está estatisticamente verificado que não é só no futebol que se brilha”, disse o Batistuta dos Automóveis. Acrescentando: “Águeda está em décimo segundo lugar, entre todos os concelhos do País em doenças das vias circulatórias e em décimo primeiro no que toca às doenças respiratórias”. “As doenças circulatórias devem ser causadas pelas rotundas, agora até fazem rotundas com potes de flores!”, disse gaguejante o Heitocar. “Quanto às respiratórias deve ser por causa dos milheirais do Sardão e de Assequins, que não substituem as zonas verdes, anda tudo cheio de asma”, concluiu, assertivo, o Joaquim das Baterias. “Eu, por mim, não entro nas estatísticas, respiro bem e circulo melhor!”, disse, em andamento, o Dr. Amorim Laranjedo. E frisou: “Ninguém me tira dez quilómetros por dia!...!”.
*** * *** O Egberto das Canas aprontou a sua adega de receber amigos, conhecida por “Bunker”, para ali assistirem à final da Taça de Portugal e, no se entender, à quase certa vitória dos Dragões. Por isso mesmo, encomendou no Pintainho a adequada dobradinha, para saborearem no final as grandes vitórias do Porto na Taça e no Campeonato. Só que se enganou. Quando soou a última apitadela e o Porto perdeu, atirou o boné ao chão e disse irado: “Já não vou buscar dobrada nenhuma, podia ter uma congestão! E os sportinguistas que estão no “Pintaínho” fartavam-se de gozar comigo!!!”, disse o amargurado Egberto das Canas. No dia seguinte, o prato do dia foi dobrada à moda do... Porto!
1176 vezes lido
|