Experiência curiosa porventura inédita
Longe de me considerar um sabichão em História (aliás, no que quer que seja), tenho procurado, ao longo do tempo, adquirir alguns conhecimentos que me permitam fugir ao melancólico lugar dos simplesmente ignorantes. Por outras palavras: poder considerar-me não mais do que um modesto curioso do passado, sem a estultícia do saber a que se referia o padre Manuel Bernardes. E viva o velho !... Parece mais complicado do que na realidade é. Se nos dermos ao trabalho de, despreten-siosamente, dispensarmos uma vista de olhos pelo tempo e pelos acontecimentos já decorridos, não nos será difícil concluir que nenhuma das mais diversas experiências do exercício do poder conseguiu, até agora, identificar-se com a respectiva partilha. Verificaram-se algumas tentativas, chegou-se, mesmo, a determinadas aparências. Desaproveitaram-se soberanas oportunidades. Mas a verdade manda reconhecer que ou o poder não é partilhado ou deixa de o ser. Houve, é certo, alguns casos em que, sobretudo entre maridos e mulheres, reis e raínhas, quase se terá chegado à bicefalia, não sendo claro quem efectivamente mandava e quem na realidade obedecia. Mas se descermosà raíz , á fonte, à legitimidade de quem mandava e de quem obedecia, teremos de concluir que ou era um ou seria o outro, ou seria ela ou seria ele, ou este e não esta, não esta mas aquele. Ao fim e ao cabo, foi o povo que descobriu e concluiu que “não pode haver mais do que um galo na mesma capoeira, ainda que, em alguns casos, a galinha acabe por tomar o papel do macho e este venha a ser relegado para o de fêmea. Bem recentemente, a Polónia ia dando um exemplo cuja excepção apenas confirmaria a regra. Refiro-me ao insólito caso dos gémeos, sendo um deles presidente da República e o outro , s.e.o., Primeiro Ministro. Ainda não seria desta vez. Tudo acabaria por ser como sempre tem sido: um deles ficou mas o outro teve de partir. O poder não chegou a ser verdadeiramente partilhado. Foi unificado. Acontece, agora que, finalmente na Rússia, talvez possamos encontrar-nos, historicamente falando, face á primeira partilha efectiva do poder, se vier a ser o caso, entre o novo presidente que era vice primeiro ministro e o primeiro ministro até há pouco chefe do Estado bem… presidenciável. Cedo demais , dir-me-ão, para se poder retirar ou extrair uma conclusão baseada na experiência agora iniciada... Certamente. Mas nem por isso deveremos deixar de estar atentos ao que se vai passar naquelas longínquas paragens. «Vanitas vanitatum, omnia vanitas» Veremos se será possível manter a difícil dualidde. Por mim, continuo com as maiores dúvidas. Para conquistar e manter o poder supremo o homem revela-se capaz de tudo.« Per omnia secula seculorm».
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