header Início | Página inicial | Adicionar aos favoritos |
Pesquisar Jornal   Pesquisa Avançada »
Secções
Arquivo
Sab Dom
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Notícias no seu Email
Subscrever Newsletter

Votação: Férias
Onde pensa passar férias em 2014?
Portugal
Estrangeiro
Não vou tirar férias
Resultados de votação | Votações antigas


email Recomendar a um amigo | print Imprimir |

MAIS UMA DE SALAZAR!

por Manuel José Homem Mello em Abril 09,2008

image
Uma vez que Salazar continua na moda e muitos são aqueles que não se coíbem de contar histórias e desvendar apontamentos que protagonizou, vou aproveitar a bolina provocada pelo vento de feição, contando mais um episódio que, se não tiver outro mérito, terá pelo menos o da autenticidade, levando à  generalidade das pessoas o que até agora era apenas do conhecimento de muito poucas.
Já no ocaso da existência, meu pai entendeu que, à míngua do abastado património que uma administração descuidada lapidou, devia aproveitar o leque excepcional de relações granjeadas ao longo da vida para me dar a conhecer aos amigos. Ideia generosa e oportuna, que muito me ajudou, sobretudo no “arranque” inicial.
Se bem pensou melhor o fez, oferecendo diversos almoços de confraternização, aos quais compareciam diversíssimas individualidades da vida portuguesa com posição relevante nas áreas da política, da economia e da cultura. E assim passou por nossa casa, e sentou-se à nossa mesa, tudo quanto naquela altura poderia ser considerado como «gente conhecida», que valia a pena frequentar e conhecer.
É evidente que a “ambição” maior de meu pai era a de poder contar com a presença de Salazar numa dessas reuniões político-              -gastronómicas, o que consistiria como que
uma espécie de abóbada da “construção” em que estava empenhado.
Exercia, então, as altas funções de presidente do Supremo Tribunal de Justiça
o conselheiro Afonso de Mello, primo direito de meu pai e amigos como irmãos.
Acrescia que Afonso de Mello, era um dos candidatos apontados para suceder ao general Carmona, no caso de este deixar a Presidência da República. O que chegou a parecer inevitável.  
Quem melhor do que Afonso de Mello para fazer chegar até ao presidente do Conselho o convite que meu pai desejava formular ?
Aproveitando a visita de cortesia e de despedida que Afonso de Mello ia fazer a S. Bento, por atingir o limite de idade, meu pai pediu-lhe que se encarregasse da missão. Espinhosa, certamente, atendendo à maneira de ser e ao distanciamento sistemático do Chefe do Governo. Mas nada se perderia em levar a cabo o intuito.
Afonso de Mello logo se dispôs a dar seguimento ao pedido de meu pai, transmitindo-lhe o desejado convite.
Depois de ter posto Salazar ao corrente do que era costume passar-se nos almoços oferecidos por meu pai, encheu-se de coragem e disse _:- senhor Presidente, porque não aceita ir a um desses almoços ? Dava grande alegria ao velho Conde, seu dedicado defensor, e encontrava-se com os seus mais próximos e distintos apoiantes…
Conviver não é pecado e por vezes até se torna oportuno e saudável…”
Não tardou que a fisionomia de Salazar traduzisse a resposta, declinando, aliás afavelmente, o convite. Fixando o olhar no do seu interlocutor, Oliveira Salazar ponderou : “- Muito obrigado pela ideia. Peço-lhe que transmita estes meus agradecimentos a seu primo por quem, aliás, tenho a maior consideração. Diga-lhe, porém, que o meu estilo e a minha maneira de viver não se coadunam com a vida social, nem mesmo quando  salpicada por cariz político. Tenho um entendimento diferente de outros governantes: há os que gostam dos banhos de multidão e da agitação consequente e há os que preferem a tranquilidade e o recolhimento quase monástico. Eu pertenço aos últimos…
Embora mal comparado, lembro-me sempre do que aconteceu a Jesus Cristo. Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem em contacto com a multidão, acabou crucificado. Veja o que me aconteceria - a mim que não sou Deus e apenas o mais humilde dos servidores-- se resolvesse juntar-me e misturar-me com a multidão.. Desculpe mas não posso aceitar o honroso convite do Conde de Águeda…”.
É bem possível que a conhecida timidez de Salazar fosse o reflexo do carácter orgulhoso da sua personalidade.   
n MJHM-  Director Honorário SP


2639 vezes lido

Gostou deste artigo?

1 2 3 4 5 Resultado: 4.75Resultado: 4.75Resultado: 4.75Resultado: 4.75 (total 4 votos)
Os artigos mais lidos
Os artigos mais divulgados