A morte do Bom Gigante e as inverdades de Eusébio
Já era esperada há bastante tempo a morte do “magriço” José Torres, a quem se apelidava de o Bom Gigante. Não quis deixar de lhe prestar a última homenagem, no dia do seu funeral. Num dia de intenso calor, este não foi impeditivo de que muitos dos seus antigos companheiros do Benfica e da selecção nacional de futebol o acompanhassem à sua última morada, no cemitério da Amadora. Nesta hora de pesar, gostei de ver a solidariedade humana manifestar-se de forma tão sentida. Lá encontrei gente com quem muitas vezes me cruzei nos anos 60-70, alguns dos quais já não via há muitos anos. Entre outros, o Humberto Coelho, o Hilário, o José Augusto (a idade não passa por ele), o Carlos Manuel e o estado maior do Benfica marcaram presença. Só lá não vi os dirigentes federativos, nem os sindicalistas nossos conhecidos da televisão. As conversas de circunstância recaíam, sobretudo, em aspectos os mais variados da multifacetada vida do José Torres: o futebol, a columbofilia, o seu carácter, a sua bondade e o seu sofrimento nos últimos tempos. A lembrança de muitas tardes de glória que alguns daqueles ex-atletas proporcionaram ao povo português perpassaram na minha mente, sem esquecer a saga dos “magriços” em Inglaterra, em 1966 – onde a selecção nacional de futebol assinou a página mais brilhante do seu historial e que não mais foi sequer igualada, infelizmente. A certa altura, o pequeno-grande futebolista António Simões abeirou-se de mim para me felicitar “por ser a única pessoa” que ele conhecia que teve a coragem de repor a verdade na inverdade que o (grande) Eusébio tem vindo a propalar, com o apoio de alguma imprensa mal informada, sobre a não ida dele para o estrangeiro, por imposição do dr. Salazar… que o “nacionalizara…”. Na verdade, tem sido uma mentira que, de tão repetida, passou a ser considerada um verdade para a maioria dos portugueses… Salazar recebeu o Eusébio uma só vez (eu estava presente), quando a equipa regressou de Inglaterra com o 3º. lugar na bagagem. E não as seis vezes propaladas pelo atleta, até num DVD que por aí tem circulado… E nunca se ocupou das transferências de jogadores. Tive também muito gosto em conversar com o Toni, que foi jogador da Académica, com quem recordei a final da Taça de Portugal de 1969, no Jamor, que ele me recordou que não teve direito a transmissão televisiva, e a que eu acrescentei: nem direito à presença de governantes na tribuna do Estádio Nacional. Nela, o Benfica venceu por 2-1. Quando me aproximei do Fernando Peres, ex-Sporting, percebi que ele me não reconheceu, à primeira, mas logo a seguir me disparou com alegria estampada no rosto: “O senhor está na mesma…”. Que simpatia para com os meus quase 83 anos!... Paz à tua alma, José Torres!.
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