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ÁGUEDA: O COMPASSO DE ÁGUEDA A A FESTA DO PAU

por JOSÉ BRINCO DE MORAIS em Abril 04,2008

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A casa está cheia de familiares. É dia de Páscoa e, na nossa rua, o “Compasso” chegou mais cedo do que a “Cruz”. Alguém andou de porta em porta a distribuir amêndoas cor de rosa. Além disso, trouxe-nos uma mensagem escrita, com palavras simples para  recordar.

Foi um dia alegre na Rua Armindo Santos, onde a tradição ainda se mantém. Em todas as casas, há doçaria em quantidade e qualidade. O tempo passou muito depressa e à tardinha a casa ficou vazia.
Estamos na segunda-feira de Páscoa e os foguetes, lançados de Assequins, indicam-nos que é o dia do “Pau”. Vamos para a varanda,  para testemunhar que é mais um dia de festa para os lados do Sol Nascente. É nessa altura que sentimos saudades dos tempos que não voltam mais.
Já lá vão tantos anos que em nossa casa se preparava o farnel avantajado de tanta coisa boa. Logo pela manhã olhávamos o céu para os lados do Caramulo para ter a certeza do dia que nos esperava. Com tempo bom toda a família seguia a pé pelo campo de Assequins a caminho de uma festa há longas semanas esperada. Lá ia o cesto de verga alaranjado e quase triangular. Dentro dele só coisas boas! Mantas, pequenas cadeiras, guardanapos, bom vinho de garrafão e tantos copos à mistura com facas e garfos.
As mantas colocadas no chão da enconta de Assequins permitiam dar início ao “espectáculo” de comes e bebes. Dali olhávamos a subida lenta do Pau envolvido de ramos de muitas folhas e erguido lentamente por muita força humana. Já inclinado, vemos as enormes “tesouras” que empurram e elevam lentamente tão comprido pinheiro “roubado” na véspera, num pinhal de algum amigo.
Na encosta os “forasteiros” aguedenses, já bem e bem comidos, vão observando tão original “espectáculo”.
Já com o Pau na vertical, os homens da “tesouras” descansam de tanto esforço despendido. A música é um complemento desta festa que se realiza na 2ª. feira de Páscoa.
Regressamos à tardinha, olhando a pequena bandeira branca colocada no topo daquele pinheiro “roubado” e que dá o sinal de que a festa terminou.
A marcha de regresso é lenta pela alegria de um dia bem passado à “sombra” de uma tradição. Era assim a “Festa do Pau” nos meus tempos de criança.
Passam semanas e mais semanas e as folhas que envolviam aquele “mastro” depressa secaram ao calor da Primavera, para dar oportunidade a tantos e tantos pardais para aí fazerem os seus ninhos.
n José Brinco de Morais
Águeda, Março 2008

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