P'ra que serve um Presidente
”O que é o Presidente? É alguém que não se mete onde não é chamado. Não lhe compete disputar legislativas, não lhe compete tutelar governos, nem lhe compete definir políticas” Augusto Santos Silva R.R. 16/1/11
Curiosamente, pensarão vocências e até eu, não me vou “alambazar” com as Presidenciais. Neste assunto, passei a ser muito básica: quem ganhou, ganhou; quem perdeu, perdeu. Daí que só alguns muito óbvios reparos. Os meus compatriotas, com aquele bom-senso de que nem sempre são acometidos, preferiram a estabilidade. Para falar românticamente: em tempos em que a nossa caravela atravessa mares que a fazem temer naufrágio, preferiu a segurança de uma navegação à vista. Outros reparos: 1) A campanha do maior dos concorrentes andou à deriva de presentes envenenados. A começar pela presença visível do “activo tóxico” que é José Sócrates, até ao acompanhamento dos mais evitáveis dos seus ministros. Vidé aquela “baforada” de Santos Silva, o da Defesa: “Não precisamos de um provinciano na Presidência: queremos um cidadão do mundo!”. Podia ter “atrapalhado” antes Fernando Nobre... Ademais, cidadãos do mundo não há assim tantos por cá e, os que existem, pelo mundo se deixaram ficar. Provincianos somos nós todos (até os que pensam que o não são...), no melhor e no pior sentido da palavra. Se Lisboa é a capital, toda a província é o coração do país... Só que a Democracia lhe dá direito quer a receber votos, quer a ser eleito com eles. 2) O novo cartão de cidadão impediu, por omissão do número de eleitor ou pela sua troca em relação ao original, milhares de portugueses de votar. Pode ter beneficiando ou prejudicado todos os candidatos, normal é que não foi. Quem se mete a estas inovações deveria ter bem presente que “quem não tem competência não se estabelece”!... 3) O último candidato em número de aderências, que ainda hoje não percebo para que andou a perder tempo e feitio e não sei se até dinheiro, mostrou muito pouca dignidade no arrecadar o seu 1,6% de votos. Podia ter caído melhor da sua insignificância... 4) O vencedor, um bocadinho ressabiado com as setas atiradas de todos os lados, todos os dias. S. Sebastião aguentou-as, mas era santo... Falei. Vamos lá a ver é como é que vamos conseguir singrar numa época em que o fim do mundo já não assusta tanto como o fim do mês... Esta, ou equivalente, ouvi-a pela rádio a alguém e é “vero e bene trovato”!
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