DESABAFO!!!
Não me leve a mal leitor amigo - ou mesmo pouco amigo… - se hoje me deixar arrastar por uma onda de pessimismo ou, para ser mais verdadeiro, de realismo. Deixem-me escrever umas tantas, ainda que poucas, linhas sobre os derradeiros dias que inexoravelmente se aproximam. Mesmo que quisesse fugir aos lugares comuns (a morte é a única coisa verdadeiramente certa a que não nos será possível escapar; fim inevitável, momento ignorado pelo tempo que acaso ainda nos reste, será sempre pouco…) baldado seria o meu esforço porque chegaria sempre à mesma conclusão, conforme De Gaulle reconhecia: «A velhice, que naufrágio!». E que naufrágio meus amigos!... Na realidade, à medida que o tempo passa e os dias se sucedem, raras são as 24 horas que não nos trazem a notícia da partida de um amigo, de um parente, de um conhecido, de alguém que contou ou que fez parte da nossa vida. Ontem, foi aquela ou este, anteontem esta ou aquele, hoje quem já se esperava ou quem nos parecia capaz de continuar andando por aí e nos surpreende dolorosamente. Assim vamos todos partindo. Assim vamos todos desaparecendo. Assim vamos todos morrendo. Não estou pressagiando seja o que for. Estou enfrentando a realidade. Estou a ser realista. Nem sequer confesso o medo da morte. Limito-me, isso sim, a dar testemunho pelo gosto de continuar a viver. Enquanto achar que valerá a pena. Porque viver morrendo aos bocados é pior do que deixar de viver. Razão teve Monterland quando decidiu “partir”, ao chegar à conclusão de que deixara de ser o que sempre fora. Viverá quem possa usufruir plenamente o gosto pela vida. Mas não aqueles que morrem na ilusão de continuarem vivos. Esses não passam de prestidigitadores da morte. n MJHM (Director Honorário SP)
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