A SAÚDE, A CULTURA E AGORA A EDUCAÇÃO
Por uma vez, todos estiveram de acordo: foram dezenas de milhares os que desceram ao asfalto em protesto contra a política de quem governa. Apetece acrescentar, perguntando: há coisas extraordinárias, não há?!
Governar - sobretudo governar bem - significa escolher, como ensinou (e ratificou) Mendés-France. Escolher e decidir. Mas, porventura, ainda mais prever, como escreveu Raymond Aron. A manifestação levada a cabo pelos professores do secundário constituiu, efectivamente, uma caudalosa marcha de protesto que não poderá deixar de ter significativas consequências a mais óbvia das quais há-de ser a demissão e a curto prazo, da ministra Maria da Luz Rodrigues. Mas não só. Experimente o engº. Sócrates preservar no erro de manter a senhora e não tardará que seja também varrido pela enxurrada política que se tem acumulado ao longo destes últimos meses. Porque, para além das qualidades acima apontadas, não se po-de governar bem a descontento, identificando a política que se pratica com a teimosia que se arvora em norma de actuação. Chega a parecer impossível que os homens de governo revelem, quase todos, a particularidade de não serem capazes de emendar a mão, persistindo em seguir por caminho errado ou seja contra o que se pode apelidar de < sentido proibido do trânsito político até que aconteça o choque frontal de que resultará o desastre irreme- diável e irreparável Ora o engº. Sócrates sabe perfeitamente que governar abanando descuidadamente na saúde, na educação e na cultura é o mesmo que pôr a cabeça a jeito sob a lâmina da guilhotina. E todavia foi isso mesmo, é isso mesmo, o que tem acontecido. Toda a gente clama por reformas e quanto mais drásticas melhores. Mas é mais do que sabido que ao mínimo sopro reformista a esmagadora maioria dos “reformadores” logo evidencia o desejo de a final manter tudo como estava para ver como fica… A manifestação do passado fim-de-semana evidenciou demasiadamente que qualquer coisa de podre contaminou o governo de modo a que tudo continue na mesma. E é pena que um homem, como o “ nosso” Sócrates possuidor de tão raras qualidades, acabe por se deixar resvalar pelo desfiladeiro da desgraça política. A Rocha Tarpeia sempre, sempre a rondar o Capitólio… - MJHM Director Honorário SP
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