HOUVE REMODELAÇÃO?
Numa tentativa de antemão perdida - questão de número de votantes - para atirar lama à cara do Governo, o Bloco lançou um dia destes no Parlamento uma moção de censura ao dito cujo. Levantaram-se em afirmação meia dúzia de gatos pingados. O “tele-evangelista” - desculpem as boas línguas, não é só o aspecto é o tom de voz melíflua… - salvou a honra do convento, com uma declaração tão justa e assertiva que até eu aplaudi. Disse ele: “Em nome da democracia, o Governo merecia ser censurado; está censurado.” Não há nada como arredar papas da língua! Esta mini-remodelação foi o que se pode chamar um parto a ferros e, ainda por cima, a “criança” não chorou ao nascer. Que as populações já não podiam ver o ministro nem travestido de bom ladrão (do que lhes era mais caro) e qualquer dia, perdidas as cabeças, eram capazes de o começar a crivar de setas, qual S. Sebastião, não era nada de disparatado. E digo setas porque ainda somos gente que aguenta muito, quando não ia à bomba, ou, para não ser tão “fundamentalisma” ao menos as bichas de rabiar. Felizmente já lá vão os tempos infames em que o regicídio de D. Carlos foi possível, tal como o assassínio de Sidónio Paes ou a morte entre irmãos do mesmo “Convento” na nossa tristíssima 1ª. República. Para não falar, já em tempos que correm, do misterioso “acidente” que matou Sá Carneiro. Substituir a ministra da Cultura (quem? quê?…) pareceu-me uma falácia. Como é que se vai substituir alguém por quem não se deu? Sentença inútil, portanto, e para mais com outros “monos” por saldar na loja! Ao Primeiro - ministro, que deve estar a tirar o curso de Maquiável, não sei em que Universidade mais ou menos permissiva, só lhe falta aprender que, como este dizia “O Príncipe deve fazer o mal todo ao mesmo tempo”. Neste caso, seria o bem… l E lá ficamos todos à espera de 2009, ano de legislativas, a ver se a cilha se nos desaperta para larguezas mais suportáveis. Dizia Epitecto, pensador grego, que a coisa mais difícil era conhecermo-nos a nós mesmos e que a coisa mais fácil é dizer mal dos outros. Escolhi o mais fácil… até porque, como as coisas correm dizer bem é um exercício de extrema complexidade. PS: Ainda retrospectivamente chocada com o centenário do regicídio, acordo hoje com a notícia do ataque a tiro a Ramos Horta. Timor foi sempre a minha “causa”. Foi mesmo a única que abracei, em relação a todos os outros nossos territórios ultramarinos. As etnias, as raivinhas ancestrais, os alfredos reinados deste mundo, não desarmam no seu serviço às causas da sublevação e desestabilização. Valerá a pena convencermo-nos que tentar exportar democracia para certos povos e certas regiões do planeta alguma vez será possível?
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