No meio dos “temporais” naturais e humanos que todos os dias as televisões nos despejam em casa, ao vivo e a cores, uma boa notícia: os portugueses dão a sua maior confiança, em cerca de 45%, à classe profissional dos professores.
Além da justiça da contatação e reconhecimento, a atitude vem desfazer em tirinhas a “teoria” gostosa dos compatriotas que proclamam a nossa lusa estupidez natural. Quem assim avalia está a chamar-se burro a si próprio. Bom proveito! Os professores têm sido, sim, o “cepo das marradas” do Governo, do seu Ministério, por inerência, de alunos educados por pais permissivos e laxistas, que acham que os mestres ganham não só para ensinar mas, igualmente, para levar em cima com os desmandos, má-criação e insolência dos seus rebentos. Enquanto esta espécie de encarregados de educação - não generalizo, de modo algum!… não largar a paranóia de que uma Escola disciplinada e actuantemente disciplinadora é causa de traumatismo presentes e futuros da sociedade emergente que lhe está entregue; enquanto o Ministério respectivo achar natural esta paranóia, não vale a pena discutir Educação! Por arrasto, vêm turmas enormes, programas mal elaborados e alguns até mesmo fastidiosos, salas de aula com temperaturas-ambiente difíceis de aguentar, professores “estoirados” de tanta papelada, de tanta reunião, de tanto tempo na escola a “encher chouriços”, que é uma coisa mecânica e não exige a concentração necessária à preparação de aulas, elaboração e correcção de testes escritos.
Dois colegas meus, também já de “pousio”, regozijam-se por terem “saltado do barco” antes que vissem as suas funções quase reduzidas a ser ou “professores de papelada” ou de “exposições e procissões”… (aulas de visitas guiadas - em procissão… a tudo quanto está pendurado em paredes extra-escola, muito artístico, pouco artístico ou mais ou menos). Nada de entender mal: a cultura é um dos maiores bens que uma sociedade pode e deve acarinhar.
Só que não substitui, em alturas lectivas, matéria a dar e obrigação de programa completado no fim do ano.
Quanto à papelada (em geral em tudo quanto é serviço público), como já aqui disse, relatórios e relambórios davam para pagar o novo aeroporto, os TGV, pontes e passadiços e até era capaz de sobrar para acudir ao fatídico PIB…
Mas apesar de tudo, haja Deus! A população dá a sua máxima confiança aos professores. No fim da escala de profissões, ficaram os políticos (7%…), se é que a política é uma profissão… Bem feita!…
PS: Nas Universidades, a coisa sempre é mais regrada, embora as haja… e Haja. Eu tive há pouco tempo a alegria de ver o meu neto Pedro, vinte e dois aninhos, licenciado em Economia pela Universidade Católica de Lisboa, onde continua a fazer o mestrado. É uma alegria que partilho com os leitores que são meus amigos.