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A DESORIENTAÇÃO DESTE GOVERNO

por António Silva em Fevereiro 13,2008

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No final de ler este artigo, você, se for um daqueles fanáticos escravo da sua cor partidária, vai chamar-me “anti-socialista primário”. Pois garanto-lhe que não sou! Sou apenas anti-mediocridade, anti-prepotência e detesto a incompetência, essa pecha que grassa no nosso país e que é a causa de sermos, na Europa, os últimos dos últimos em tudo, menos na ignorância com que se evidenciam os nossos governantes.
Bem sabemos que o Governo é o resultado de uma maioria de votos que os portugueses lhe confiaram, mas os eleitores que conheciam apenas o programa apresentado ao povo, em campanha eleitoral, desconheciam a tacanhez de alguns dos escolhidos para ocupar cargos essenciais na vida do país e no futuro das pessoas.
Imaginávamos nós que as primeiras e maiores preocupações de um governo que se diz socialista seriam as questões sociais: o ensino, a assistência, a justiça! Mas, passados estes tempos, percebemos que a única coisa que interessa aos governantes é cumprir, como submissos lacaios, as metas do défice que Bruxelas impõe e que são conseguidas à custa do sofrimento do povo, provocando miséria e fome, é claro, sempre nos mais pobres.
O governo é legítimo porque reflecte a vontade do povo num determinado momento e circunstância, mas nem isso dá o direito à propensão que alguns ministros têm para governar aos solavancos, sem convicção nem certeza do que fazem e muito menos do que dizem. E são já tantos os avanços e recuos dos protagonistas desta “comédia” que, à falta de vergonha, deviam ter, ao menos, uma réstia de dignidade e abandonar o cargo, antes que o país tenha que dizer “basta” de tanta incoerência!
Há dias, neste mesmo local, escrevíamos sobre as anedotas dos ministros e os ministros anedotas que abundam, principalmente lá pela capital. Agora, dizemos à responsável pela educação que as medidas anunciadas, no que à música diz respeito, e publicadas nos meios de informação, ultrapassam o anedótico, para entrarem no campo do ridículo.
A Senhora Ministra, para justificar as suas anormalidades em relação à música, aos microfones da Antena 2, perguntava: “Quantos alunos de música conseguem tirar um diploma?”
Nada mais ridículo e revelador de ignorância, do que pensar que um diploma é a única coisa, ou sequer a que mais interessa a quem aprende música!
Há dias, numa conferência realizada no salão nobre da Câmara Municipal, dizia o conferencista, numa lucidez que a senhora Ministra não teve e por certo nunca terá: “Há três vertentes essenciais ao desenvolvimento harmónico e intelectual de uma criança: o colo, a ginástica e a música!”.
Pois bem, Sua Excelência, a Ministra da Educação, para justificar as asneiras a que se propõe, resolve eleger o diploma da música como a única coisa importante nesta matéria.
Senhora Ministra: corrija lá a sua santa ignorância porque, nesta matéria, o mais importante é saber!
Acaso saberá, a Senhora Ministra da Cultura, que Giuseppe Verdi nunca conseguiu o diploma do conservatório? E, apesar de o não ter, haverá alguém mais eloquente na arte dos sons na sua época? E saberá a entendida ministerial que a Itália elegeu VERDI como o seu músico nacional, título que até ao momento ninguém lhe arrebatou? E alguém se importou, ou importa, que ele tenha ou não o canudo do conservatório? Claro que o que pesou na decisão da eleição foi o valor da sua monumental obra, apesar de ter reprovado logo na admissão ao conservatório!
Senhora Ministra: as escolas de música e os conservatórios espalhados por este país fazem  com que, com diploma ou sem ele, o nível intelectual de quem as frequenta saia valorizado. Atrevo-me até a afirmar que se fosse obrigatório aprender música, como é aprender a ler e a escrever, seríamos todos bem mais capazes que o que somos, a começar por si.
O Conservatório da nossa cidade é o exemplo vivo do quanto a música é importante no desenvolvimento do intelecto de uma criança, de um jovem, de uma pessoa, de uma sociedade, e, apesar do auxílio do governo, está ali muito dinheiro e amor a causa dos responsáveis por aquela escola. Mau seria que, apenas para economizar uns euros, se pusesse em risco a sua existência, porque muito mal vai um país quando governado por quem só pensa no défice económico e tão rudemente ignora o défice intelectual. Isso, sim, é preocupante!
E olhe, eu não tenho vergonha de ser pobre, mas tê-la-ei de ser ignorante!
-  a. a. silva
2008-02-13

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