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SE É PARA CONCORDAR, ENTÃO CONCORDE-SE!...

por Luisa (dra) Mello em Janeiro 04,2008

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“A Europa talvez queira estatuto de super-potência que a coloque ombro a ombro nas discussões com Rússia, China, Japão ou Irão, sem precisar de Washington. Mas não se vê quem aceite pagar, ou dar sangue por esse objectivo. Seja como for, ainda não fomos chamados a votar sobre isso”.  (Sunday Times)

Nunca passei de uma euro-conformada, pelo que estou mais que à vontade para dar uma nega ao referendo sobre o tratado alfacinha. Depois da união firmada por caneta de prata por toda a comitiva nupcial, qual o interesse de tal cusquice? Para ver se o saiote da noiva não estaria amarrotado ou se as peúgas do noivo teriam buracos?… Espero que os juramentos de amor recíproco e fidelidade não levem as costumadas facadinhas!…
A festa foi linda, pá… e o dia magnífico. Só um reparo que, na altura, me custou críticas acerbas sobre a minha grunhice, por  parte dos dois filhos que então estavam presentes: não gostei dos “ensaios de extensão de voz” da Dulce Pontes nas canções que cantou. Aliás, ela costuma “assassinar” tudo quanto foi legado da Amália e o seu próprio repertório é demasiado estridente para meu gosto… Também não teve,  assim aplausos por aí além. As gentes dos outros lados da fronteira talvez esperassem por lusitanos fados e não por vocalizos de ópera. Mais teria valido terem a Mariza, que embora esteja a  a precisar de novo consultor de imagem (demasaiada altura para tão pouco e alvo cabelo; vestidos com folhos saia abaixo, a parecerem penas de avestruz), sempre canta com mais naturalidade, se é que percebem o que quero dizer. (Desconfio que a minha “grunhice” musical assenta em não poder ressuscitar Amália, aspecto, beleza e voz… Ainda temos pelo menos um Carlos do Carmo para puxar de sonoridades bem portuguesas! Teria sido outra opção.) Como já ouvi, a este propósito o relativo ralhete, peço a vocências indulgência e compreensão, no caso vertente…
l Deixando a música e voltando à prova: quanto a mim, uma das maiores pontos fracos do tratado é a menoridade em que vai lançar os parlamentos nacionais, que são a base fundamental da legitimidade democrática, não só de cada país aderente como da própria Europa. Enquanto se entretiverem a embirrar com as nossas colheres de pau, as bolas de berlim nas praias ou o feitio dos galheteiros dos restaurantes, vá que não vá e podem ir à fava… O pior são os assuntos mais sérios, os que passam da “cozinha” para o santuário das nossas salas de família.

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