PROIBIDO FUMAR EM ESPAÇOS FECHADOS
O que agora nos é imposto por decreto, proibição de fumar em espaços fechados, já nós o tínhamos determinado há 20 anos, nos locais de trabalho onde temos alguma capacidade de decisão, embora, a esse tempo, tivéssemos que recorrer ao argumento de que na empresa havia produtos inflamáveis e de fácil combustão para podermos fazer cumprir a ordem. Não tirámos o vício aos fumadores, nem era essa a intenção, mas a medida ajudou a reduzir-lhes a dependência do tabaco, pelo menos, durante o período efectivo de trabalho. Não foi fácil porque, nessa época, misturar o fumo com o trabalho era algo tão normal como beber um copo de água, tomar a refeição ou ir à casa de banho. E tanto os operários quanto os sindicatos, e até o governo, consideravam normalíssimo que o operário fumasse enquanto trabalhava, como se não fossem já suficientemente maus os fumos da solda, das máquinas, dos banhos químicos e das fogueiras com que os operários tentavam amenizar as baixas temperaturas. Eram hábitos que vinham de longe e se iam transformando, primeiro, em direitos adquiridos, mas aos poucos foram conquistando o estatuto de lei, com patrões que tinham muito pouco de empresários, às vezes nada, a partilharem o cigarrito com o operário, em plena hora de laboração. Porque, àquele tempo, havia estes maus hábitos enraízados no pessoal, quando proíbimos o fumo dentro das instalações, fomos rotulados de autoritários, prepotentes, radicais, ditadores, etc. Uma reacção compreensível porque isto de antecipar o tempo tem custos e não é obra para qualquer um! Os próprios deputados, que não antecipam coisa nenhuma, alguns limitando-se a ir ao sabor da corrente, estão renitentes ao acatamento da lei do tabaco, dentro do edifício de AR, reclamando para si próprios, como é habitual, direitos especiais. Atitude pouco digna e nada consentânea com as suas responsabilidades, se as tivessem, ao manifestarem perante a TV, o seu desconforto por, também eles, ficarem abrangidos pela lei que os proíbe de fumar dentro da mais emblemática e respeitável casa-símbolo da Soberania Nacional, não se coibindo de dizer, numa arrogante e infeliz atitude, que a lei, feita por eles próprios, pasme-se!..., é ortodoxa e radical. E isto só acontece porque esses senhores estão habituados a ter privilégios perante a própria lei. Eles pedem sacrifícios ao povo, mas não aceitam que esses mesmos sacrifícios os abranjam. Ao que se chega! Os que se comportam desta forma, não são dignos do lugar que ocupam. Deviam ter um pouco mais de pudor nos privilégios que reclamam para si porque, assim, deixam uma péssima imagem. Olhem o exemplo do Presidente da Assembleia e sigam-no, também ele, um apreciador de um bom “habano” e que, numa exemplar lição de bom civismo, diz: “A lei é para cumprir, e é para todos. Sou eu que terei de adaptar os meus hábitos às leis desta casa e não têm que ser as leis a ajustar-se aos meus hábitos!”. Foi com esta resposta dada à jornalista que, maliciosamente, lhe perguntou como iria vencer o hábito do charuto após o almoço, que Jaime Gama conquistou a nossa simpatia em relação ao assunto em questão, por tão estranho, vindo daquelas bandas, donde recebemos tão maus exemplos! Infelizmente, não é só da AR que retemos imagens pouco ortodoxas. Elas surgem-nos de outros lugares e outras gentes, gente de alto gabarito que, de quando em vez, nos surpreende com atitudes nada consentâneas com os actores, muito menos com a posição que ocupam. Há dias, Sua Reverência o Cardeal Patriarca de Lisboa resolveu fazer umas fumaças no decorrer de uma entrevista à TV, entrevista que durou apenas uns pouquíssimos minutos. Ele pode até argumentar que estava dentro dos seus aposentos, mas, mesmo assim, não deixou de se comportar com um viciado dependente do tabaco, um vulgar cidadão. E não é o caso. Aquelas lufadas de fumo perante as câmaras da TV, tratando-se do mais alto Dignitário da Igreja Católica deste País, numa altura em que se discute o uso do tabaco, não podem ser tomadas como um bom exemplo. Ele mostrou, com aquela atitude, que nem ele é capaz de dominar os seus vícios, ainda que só por alguns segundos. E quando o pastor vai pelo mau caminho, normalmente, o rebanho, segue-o!... Não foi, seguramente, um bom exemplo. Mais pareceu um desafio à lei que vai entrar em vigor. Já Santo Agostinho, dizia: “Quando não puderes ser casto, sê ao menos, cauto!...!. Não pensem que eu sou um daqueles primários perseguidores dos fumadores porque quem bem me conhece sabe que adoro fumar um bom charuto. De preferência, dos de Fidel Castro! Mas faço-o sempre em espaços abertos e de modo a não incomodar nem prejudicar os que me rodeiam, muito menos deixar a ideia de viciado. De resto, eu entendo que o homem nasceu livre e assim deve morrer, pelo que toda a gente tem o direito de pregar mais um prego no seu caixão, como dizem os mais esclarecidos nos malefícios do tabaco, mas ninguém tem o direito de, para alimentar a sua dependência, pôr pregos no caixão do vizinho, desrespeitando os que não podem, os que não gostam ou os que não querem ser fumadores. Damos as boas vindas ao Novo Ano e à lei que vai entrar em vigor (entrará?), com o alvorecer do ano 2008. A partir daí, sejamos todos, fumadores e não fumadores, conscientes dos malefícios do tabaco, os defensores do cumprimento de lei, e as consequências do fumo serão minimizadas. Parabéns ao Governo, pela coragem que for capaz de ter no fazer cumprir a lei que esperamos, seja com tolerância ZERO. Neste fim de ano SP, deseja a toda a humanidade, Paz, Paz, muita Paz!
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