EDUCAÇÃO/ESCOLAS: A DESERTIFICAÇÃO E AS ESCOLAS
A desertificação não é um fenómeno apenas nacional. O problema existe em todos os lugares com condições semelhantes. Isto é, para mim, um acontecimento preocupante e, por isso, recorrente. O mundo está em constante mudança. Durante milénios, essas mudanças processavam-se um ritmo extramente lento, embora tenham florescido grandes civilizações. Mas só a partir da chamada revolução industrial é que a aceleração disparou. Aconteceram mais mudanças nos últimos dois séculos do que em todo o percurso da evolução humana. Convém dizer que eu sou dos que acreditam na evolução. A ideia criacionista do fixismo é uma teoria que a ciência regeita. Os hábitos alimentares e o próprio meio ambiente, bem como os conhecimentos e progressos obtidos, alteraram tudo. E, para o bem e para o mal, continuarão a alterar. Essas alterações, das mais diversas naturezas, conduziram, inevitavelmente, às mais profundas transformações, que passaram pelo nomadismo e, depois, pelo sedentarismo, proporcionado pelas práticas agrícolas. Mas a essa agricultura que, inicialmente, proporcionava um acerta autossuficiência, sucedeu-se a troca e o posterior mercantilismo, já com dinheiro, a que se convencionou um valor relativo e que passou a ser usado para facilitar as trocas. Mas também isso evoluiu e foi sendo desvirtuado com o correr dos tempos e hoje o dinheiro não compra só mercadorias e bens. Compra até consciências e poder. Mas, por mais que apostrofemos o vil metal, a verdade é que hoje em dia não se pode passar sem ele. Com pouco já é difícil, sem nenhum, é insustentável. Voltemos agora à desertificação e se é possivel fazer alguma coisa para a impedir e que tem dinheiro a ver com isso. É que na sociedade actual o dinheiro só se pode ganhar onde há indústrias, comércio e serviços. A floresta dá uma ajuda mas não chega para a fixação das pessoas. Debrucemo-nos agora um pouco sobre as vantagens e inconvenientes da interioridade: Uma construção custa o mesmo ou até menos numa zona próxima do local do trabalho do que numa do interior. Só é onerada pelo preço do terreno onde é implantada. Mas se essa construção for um apartamento, já o preço do terreno é divertido pelas diversas unidades que o compôem e embaratecido por várias coisas em comum e é amortizável porque se deixam de percorrer diariamente dezenas de quilómetros para o emprego e os elevados custos inerentes. É pertinente falar agora nos Pólos Educativos, que tanta polémica tem gerado e na influência que isso possa ter na desertificação. Conhecemos aldeias que sobrevivem durante largos séculos, sem caminhos, sem escolas, sem telefones e sem é electricidade e, quando tiveream estradas e todas as outras coisas se despovoaram totalmente. Se os filhos fossem bens de produção como outras coisas se despovoaram totalmente. Se os filhos fossem bens de produção como noutros tempos, mas agora são bens de consumo e os casais raramente vão além de um ou dois filhos. Assim, cabe perguntar: Fecham as escolas porque não há alunos e porque é pedagógica e socialmente errado manter uma escola periférica, com poucos alunos, ou o facto de fecharem é mais um contributo para o exôdo e desumanização dos espaços? Não há escolas porque não há crianças, ou não há crianças porque não escolas? Qual é a causa ou qual é o efeito?. Quero que seja o leitor a encontrar a resposta. Agora, quanto a mim, é que se não surgir qualquer situação, que eu não vislumbro, que altere o actual estado de coisas, a desertificação do interior é um dado irreversível, com escolas ou sem elas. Esta é a minha opinião, mas pode ser que o leitor seja capaz de encontrar um final feliz para este problema, como seria meu desejo poder encontrar.
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