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O ponto da situação

por Luisa (dra) Mello em Setembro 26,2012

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“Somos fatalmente uma
coligação pacífica
de revoltados”
- Miguel Torga

O senhor Arménio Carlos sentencia: é preciso mudar de executivo,  que este não serve! Como quem diz: Temos de mudar esse vaso da varanda de sítio, que o sol está a esturricar a planta.
É de uma “simplicidade” que só visto!
Eu também não gosto dos troikos; eu também não gosto que me vão constantemente fatiando uma reforma, já na arca congeladora há que tempos; eu também não gosto das contas com taxas mais altas que o consumo que me aparecem todos os meses; eu também não gosto que os produtos alimentares estejam ao preço da ópera.

A Pátria no prego

Culparia, até à exaustão, qualquer antepassado que tivesse delapidado os teres e haveres da família, deixando aos herdeiros dívidas e calotes. Era capaz de pedir aos filhos que me pusessem no lar, se me metessem em casa uma governanta teutónica, a gerir aquilo que é meu. No singular. Com o colectivo, o caso muda de figura.
Se tivémos de pôr a Pátria no prego e andamos a pagar as cautelas do penhor a preço exorbitante, monetária e socialmente, não podemos esquecer quem, ao longo dos anos (não esquecendo os mais próximos!) nos levou a esta penúria.

Pagar o que devo

Voltando aos não gosto: cumprir promessas faz parte da natureza que meus pais me inscreveram nos genes.
Não gosto de quem as não cumpre. No entanto, já o fiz e vou tendo de o fazer, já que a situação que a isso me leva se me apresentou de modo inesperado, diverso daquele em que prometi.
O que tenho como sagrado é pagar aquilo que devo.
Andar a exigir “que se mude o vaso da varanda”, quando o sol escalda, depois de se ter pedido um grande guarda-chuva, na tempestade, não é honesto. Temos de aguentar o guarda-chuva para nos livrar do sol e das inundações. Custa muito, mas é assim.
Quem encomendou o resguardo aos troikos para impedir a bancarrota foi, tarde e más horas, o executivo socialista de José Sócrates, no dia 3 de Maio de 2011, quando nada havia já qualquer garantia a dar que tornasse capital e juros mais suportáveis, a não ser Portugal e os portugueses.
Se estou enganada, peço desculpa. Sou até capaz de ir de baraço ao pescoço, na próxima manifestação da Intersindical...  n LUÍSA MELLO - 16-09-12


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