Opinião: Remédios e curas
A crise na Europa, em Portugal, a Troika e respectivas restrições, os políticos, os partidos, as opiniões e desopiniões sobre assuntos que vão da salvação do mundo ao calibre dos ovos das galinhas, são um autêntico "fontismo" para as diversas comunicações sociais. Desenvolvem as suas actividades e recolhem os seus proveitos, escritos, mostrados, comentados, propalados que nem Fontes Pereira de Melo na segunda metade do século XIX, atirado ao desenvolvimento do país, através de vias de comunicação, combóios e qualquer tipo de máquina a vapor. A vapor, andamos todos nós, com tanto e tão gravoso "charivari" noticioso e a vapor monetário devem andar os sempre presentes comentaristas, jornalistas e televisivos, que não devem ser mal pagos. Outro dia, até esteve por aí um senhor Nobel americano da Economia, recebido e apaparicado com inaudito carinho, a debitar o nosso diagnóstico e possível alívio. Pareceu-me que puxava para a esquerda, mas não se escusou ainda assim a aconselhar nova baixa de salários. Para quem os tem curtos, já se vê, que os que recebem abundantes, não recebem salários, recebem vencimentos e subvenções. Se o PCP e o Bloco não acharam inconveniente, eu também não… Como escreveu um argentino do século passado, Ernesto Sábato, "a vida é tão curta e o ofício de viver tão difícil que, quando começamos a aprendê-lo, temos de morrer". E se não se morre do remédio, morre-se da cura… Vamos é bater três vezes com os nós dos dedos na madeira…
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