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A (nossa) rica Câmara

por José Neves em Dezembro 06,2011

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A Câmara de Águeda, conforme Soberania do Povo anunciou em primeira mão, lançou um concurso para 14 lugares de técnico superior e destinado ao preenchimento de vagas no quadro da autarquia, nas áreas do ambiente, turismo, planeamento, serviço social, educação e juventude, animação cultural, atendimento, segurança em construção, empreendedorismo, comunicação, relações públicas e electricista.
Apresentado na altura como uma disponibilidade do executivo em contrariar a estatística do desemprego, que em Portugal atinge números preocupantes - 800 mil, sendo 50 mil o número de licenciados – é agora voz corrente que a intenção subjacente a este concurso terá sido o de integrar, de modo efectivo, na estrutura municipal, os funcionários superiores da autarquia que acompanham a gerência socialista, desde que, há 6 anos, o PSD perdeu as eleições no concelho.
Ora, não estando em causa a bondade da autarquia aguedense em participar na luta contra o desemprego, já é questionável a falta de transparência, justiça e seriedade do próprio concurso, se assim não for. Transparência, justiça e seriedade que serão fatalmente violadas se os agora admitidos a concurso e vencedores amanhã, forem, nem mais nem menos, os quadros que a equipa socialista da Câmara convidou para trabalharem com ela, logo que saiu vitoriosa, há seis anos.
Porque não vale a pena atirar areia aos olhos dos munícipes, e muito menos arranjar esfarrapados argumentos, caucionadores de práticas políticas erradas, a fazer lembrar vícios velhos que julgávamos já afastados da praxis da acção municipal.
A democracia e poder local não se constroem com estes jogos do poder e muito menos premeia a qualificação e o trabalho de quem, tendo servido os vencedores, aceita quase em véspera de novas eleições autárquicas, um presente que envenenará o currículo profissional, onde a independência, a ética e a moral são os valores a defender e a respeitar, custe o que custar e doa o que doer.
A eliminação de práticas e privilégios, o abandono da promiscuidade entre o político e o interesse pessoal, devem ser as balizas definidoras do caminho do poder local norteando, sem desvios ou vacilações, um trabalho virado para a comunidade, onde nas decisões políticas todos cabem, sem exclusão de ninguém.
O sol quando nasce é para todos! Sobretudo agora, em tempo de crise, ninguém se pode esquecer disso.
Não concordas, Beatriz? n JNS

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