O país e os tempos que estão a chegar
Como fico triste, depois de tanta esperança em dias melhores, que inundava as ruas de um povo já livre, chamando uma democracia universal com mais direitos e obrigações! E, ao longo de tantos anos passados, depois do 25 de Abril, deparo com muita mágoa, que quase 1/5 da população portuguesa, está em risco de pobreza! Algo parece ter mudado, no sentido de liberdade de expressão, maior abertura ao mundo, para que este se tornasse mais harmonioso, económica e socialmente mais justo e mais igual. Não se pretendia o sistema comunista, que cerceava as ideias e não deixava o homem realizar-se, e o mundo foi caminhando para um sistema capitalista extremamente conservador e intervencionista no espaço europeu, um espaço que queremos viver e onde sempre proporcionou ao povo melhores condições de vida. Somos um país pobre, mas orgulhoso da sua história, e não podemos aceitar humilhações desta troika, encabeçada por duas superpotências económicas, que tentam por todas as maneiras traçar o rumo do nosso país, com medidas de austeridade demasiadas severas e duras. Estamos na Europa, sim, e há regras a cumprir, mas não se pode exigir de nós o que não podemos dar. Os sacrifícios estão a atingir duramente os trabalhadores, os reformados e a classe média. O actual governo está a obedecer cegamente as directrizes da Troika. As elites capitalistas, que provocaram toda esta crise financeira, deviam ser responsabilizadas por toda esta situação internacional e não o povo e alguns já no limiar da pobreza. Vêm aí tempos muito difíceis e o desemprego e a recessão vão se tornando mais visíveis. As pequenas e médias empresas já não aguentam mais a forte recessão que se esta a viver no mercado interno. E são as que empregam mais trabalhadores efectivos. São o motor de arranque para qualquer mudança económica e social, a troco de uma democracia capitalista, que tudo quer e nada quer distribuir às classes mais desfavorecidas e aos trabalhadores. O povo e os trabalhadores não são os responsáveis desta crise sem precedentes, mas, sim, os maus políticos e o grande capital e os banqueiros. O actual governo, para tapar buracos, está a exagerar nas medidas de austeridade e nos impostos generalizados e as famílias estão a sofrer e já não aguentam mais. Já há famílias a perderem as suas casas e não têm já as coisas básicas para viver. Com esta política, não se criam postos de trabalho e nem se investe. O país não desenvolve e o que vamos ter, a curto prazo, é o povo na rua a provocar tumultos e a exigir a a saida da Europa e melhores condições de vida, porque a construção da Europa já é menos importante - o que importa é a sobrevivência. Os pacotes fiscais e os cortes nos subsídios, incidem, fundamentalmente, na classe trabalhadora e menos no grande capital. A democracia social e económica não se constrói assim e a revolta instala-se na rua, até haver mais podutividade, mais investimento, mais postos de trabalho e melhor distribuição de riqueza, com uma política mais justa. Até lá, não vamos ter paz social. n ANTÓNIO SARAIVA BALTAZAR
643 vezes lido
|