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O país ajoelha-se à verdade que nos esmaga o futuro, nos rouba o pão e o conforto, a saúde e a educação, a estabilidade e o rendimento familiar. Portugal está em vésperas de falência. 1 - A idade, deu-me o tirocínio dos tempos da austeridade e da guerra, na qual fui militar sem recuar um passo, servindo o país que nos deu chão e sonhos. Orgulho-me disso. Deu-me também o deslumbramento dos tempos do país fácil, acordado para a democracia, soprado pelos ventos da esperança e das facilidades. Do fausto exagerado, que sempre é véspera da esmola. Para isso, olhei desconfiado. 2 - O país, governado por estes e aqueles, foi cavando o seu futuro, gastando biliões de biliões de euros recebidos da Europa, mais os pentaliões de empréstimos que nos custam, agora, o amargo da falência. Por muitos anos, fomos mantendo a fachada de país abonado e rico e fazemos, agora, a figura triste do fidalgo arruinado, mas de charuto na mão. 3 - Ninguém saberá, nunca, quantos biliões de biliões foram esportulados em luxos desnecessários, em investimentos mal concebidos, em negociatas de amigos e em prebendas e cargos em que se ganhou muito sem fazer nada. 4 - Mas sabemos, agora, na hora sem fazer contas, que é o povo que tem de pagar. Os culpados, como a culpa, ficarão solteiros de responsabilidades. n CV
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