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Respeitar a fé, sem a possuir

por Manuel José Homem Mello em Outubro 12,2011

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Os sentimentos não se discutem. Aceitam-se e respeitam-se... Estão incluídos na “lista” o amor, a amizade e a fé.
Efectivamente, discutir ou pôr em causa qualquer desses, ou quejandos, não passa de tontaria.
Quando se gosta de alguém não se pode explicar ou dizer quais os motivos que nos levaram, ou nos levam, a amar uma pessoa; o mesmo se dirá quanto à amizade: é impossível explicar porque se é amigo de A, B ou C.
Já a inversa pode ter explicação: a inimizade poderá explicar-se mais facilmente, havendo motivos para senti-la.
Mas não se pode gostar de alguém por que é assim e não diferente do que é. Idem, quanto à crença.
A fé sente-se ou possui-se, mas não se explica. Quando se tenta explicá-la, acabamos por perdê-la ou ficamos “condenados” a deixá-la “partir“ na primeira oportunidade.
O que não deixa de ser extraordinário é o que se passa com a religião, designadamente com a prática religiosa. Por maiores que sejam os erros e os “pecados” cometidos pelas organizações religiosas - sejam elas quais forem - nada consegue abalar a fé e a devoção daqueles que acreditam.
Conhecem-se as manchas negras que ensombram a história da religiosidade, seja qual for a religião ou a seita que se considere. Ao longo do historial da humanidade matou-se e continua a matar-se em nome de Deus; ao longo desse historial religioso cometeram-se e continuam a cometer-se os crimes mais hediondos, as maiores velhacarias; praticaram-se e praticam-se as maiores barbaridades; reconheceram--se abusos de pedofilia pelos quais se pagaram milhões e milhões de dólares, a título de indemnização; queimaram-se vivas centenas de milhares de vítimas, acusadas de apostasia; Papas foram eleitos sob o sofisma da infalibilidade, casaram e procriaram, cometeram-se variados incestos; pior não poderia ter sido. E todavia..., todavia o Papa reinante desloca-se, como aliás fizeram os seus antecessores mais próximos, arrastando atrás de si multidões animadas pela fé mais viva e pela convicção de que o sofrimento na Terra antecede as portas do Céu, onde os bons vão encontrar o reino da Bem-aventurança beneficiando da presença e do convívio de Deus. De um Deus que a maior parte das religiões teima em considerar infinitamente bom, generoso, justo, omnisciente, omnipotente, ubíquo e todas as demais qualidades que se possam encontrar e reconhecer. Nada faz tremer a fé de toda essa gente que continua, apesar de tudo, firme na sua crença e temente a Deus. Seja o que seja, é admirável que a fé resista a todas as vicissitudes, porventura cwada vez mais forte, cada vez mais firme.
Um agnóstico, como o autor destas linhas, tem dificuldade, diria mesmo impossibilidade, em compreender; mas cumpre-lhe respeitar
n MJHM  - Director honorário SP

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