Entropitoicados!...
l Não me recordo já onde é que li, ouvi, aqui há tempos, o termo “entropitoicado”, como sinónimo de deprimido, tristonho. Lembro-me apenas que é de origem alentejana. Apressei-me a apontar porque o achei perfeito para o nosso actual estado de espírito. Digo cá para comigo: estou mesmo entropitoicada! E sinto-me melhor... Experimentem! l O que eu gostava que me explicassem é como é que é possível a um governo que entrou mal passa de dois meses, compôr os efeitos de um anterior governo buldozer, que, pelo menos em seis anos deixou tudo em pandarecos e só demasiado tarde o reconheceu, pelo menos para o exterior. Cujas personalidades remanescentes na Assembleia da República nem sequer abririam as bocas se tivessem vergonha, ou fizessem frequentes exames de consciência. A patente asfixia financeira com que nos debatemos vem com a “corda” que dessa gente recebemos... l Pertenço àquela classe-média que já está com os bofes na boca. Entropitoicada. E, ao mesmo tempo, ainda tenho algum fôlego para a compreender que dadas as frequentes fiscalizações externas a que somos submetidos e obrigados a cumprir, mais fácil será tratar primeiro das receitas - mais rápido, melhor dizendo - que das despesas, que requerem um estudo mais moroso, se não queremos vender “anéis” ao preço da chuva. E embora, por princípio não seja entusiasta da passagem para privados daquilo que a todos nós pertence - a electricidade, a água, os correios, os comboios... - não deixo também de reconhecer que daí poderá vir o alívio para uma folga no apertado nó que temos no pescoço. Só que já vai sendo tempo de alargar essa mesma corda, com a extinção de Empresas público - privadas, fundações glutonas, ia dizer corporações e, se, calhar não me enganava muito, fornecedores de serviços encapotados, parentelas, amiguismos, conveniências várias, abrigadas sob os telhados protectores de um Estado obeso e desavergonhado. Os ricos que paguem? Eu não tenho nada contra os ricos: tenho é conta certas maneiras de enriquecer! É, com certeza, possível averiguá-las... l O dr. Louçã diz que é preciso um novo 25 de Abril (para os PREC’s? As UDP’s, As FUP’s? Os SUV’s? Os MES?!...); o dr. Soares diz de modo mais “soft” que é precisa outra revolução... Estou disposta a alinhar mas há-de ser num dia 30 de Fevereiro! l Neste Governo, não há ninguém que saiba comunicar, além do primeiro-ministro que continua desaparecido atrás do pano de cena? Perdão, o ministro da Segurança Social e correlativos, Pedro Mota Soares, explicou nas TV’s que o elevar do IVA de 6% para 23% para o gás e electricidade é imposição da Troika. É uma barbaridade, também, mas eu percebi. n LUISA MELLO - 12-09-11
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