Lixo!!!
“O próximo Executivo não será de Governantes, mas de regedores ao serviço dos nossos credores”. - Viriato Soromenho - “Diário Económico”
Não sei se alguém se lembrará ainda. Coisas de ganapos de outras gerações. Quando aproveitávamos folhas de jornais já lidos por pais e avós e fazíamos delas barcos, que, junto às margens de um rio ou perto de um lago de jardim, púnhamos em corrida água abaixo, a ver qual se afundava. Lembro-me. Era ver os barcos de papel a afastarem-se na corrente, a encalharem nas margens, a seguirem frágeis e à toa, até os perdermos de vista. Hoje, a brincadeira já se não usa e quem a ela brincou não acredita de certo que pudesse ter divertido alguém. Trago-a aqui porque me lembra, melancolicamente, o meu país de hoje. A seguir sem consistência nem rumo, águas abaixo, a encalhar, a perder-se, a sumir-se na correnteza de uma água para onde amigos e inimigos parecem querer vir despejar os seus detritos. Sós. E nem sequer “orgulhosamente”... Lixo nas últimas avaliações da estranja. Lixo! Quem nos varreu para dentro deste caixote dele?! Pois então aí vamos, desarvorados, correnteza abaixo, lixo que somos... Se não é de chorar, de rir é que não é de certeza. De dentro e de fora alguém anda a fazer “buyling” connosco, e pelo menos dentro de portas, não são os apontados a dedo todos os dias. Esses são apenas humanos e perderam a paciência. No tempo dos barquinhos de papel, também se dizia que “o que é demais é moléstia”! Pedro Santana Lopes dizia, um dia destes, que o Presidente da República devia dar um “murro na mesa”, o que eu entendo por dissolver a Assembleia da República e nomear um Governo de iniciativa presidencial, o mais abrangente possível. Só com gente séria, conclua-se. Estou com ele. Poupavam--se eleições e seus balúrdios, campanhas previsivelmente sujas e descabeladas, tempo. E se calhar um resultado daqueles que nos levam a dizer, como os espanhóis sobre as bruxas, “pero que las hay, hay!...” E bruxos também... Se ao menos de eleições resultasse um governo menos partidário e mais patriótico, que nos permitisse ainda varrer o lixo! Bonita e justa a cerimónia de Doutoramento Honoris Causa de Lula da Silva. Prova provada que a sabedoria académica só é essencial quando aliada a sentido de Estado e serviço do Povo. Sábio é também o Povo que isto reconhece!
Ainda a tempo: Ora aí está! O falecido Governo não queria pedir auxílio ao FMI, enquanto foi vivo. Agora diz que não pode... Safou-se!
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