Incio : Opinião : A questão das compensações ás escolas privadas
A questão das compensações ás escolas privadas
Costuma dizer-se que tudo o que é de mais cheira mal ou cheira a “esturro”. Vem isto a propósito das mais diversas manifestações sobre os cortes do Estado nas compensações atribuídas às escolas privadas e que, num universo de cerca de 100, mais que um terço assinou o protocolo rectificativo, portanto aceitando a redução.
Não é novidade nenhuma dizer que a grande, ou até muito grande, percentagem destas escolas são de gestão ligada a ordens eclesiásticas ou privadas. Nada tenho contra as instituições católicas – até o sou, embora muito pouco praticante quanto a missas, terços, etc. – mas já Guerra Junqueiro teria razão quando escreveu !A Velhice do Padre Eterno” e lá tinha “O melro, eu conhecia-o: era negro, vibrante, luzidio…” Ora bastou ver na televisão ou nos jornais o grau etário das crianças “empurradas” pelos pais para as manifs, além da sua forma de vestir - assim como a dos pais - para se compreender de onde chovia! Aliás, foi deveras estranho que um candidato a Presidente da República, em plena campanha eleitoral, tenha incitado os pais a irem para a rua, a lutar pelos seus direitos! Mas quem pode negar esses direitos, quando estão consagrados na Constituição da República Portuguesa? Como é possível ser dito que não haveria mais manifestações se Cavaco Silva fosse eleito Presidente (dia 27, noticiário das 13 horas, na SIC). E , no mesmo telejornal, mostrado o plano pormenorizado das manifs. Também não será difícil pensar quem terá pago as deslocações a Lisboa e outros locais de comícios, ou romarias, os almoços, lanches, sumos, etc., assim como os simulacros com os caixões! Tenho dois netos que andam a estudar na privada, devido em grande parte aos afazeres profissionais dos pais. Mas esse serviço é PAGO! Portanto, quem opta pelo privado, deverá pagar. Não podemos meter no mesmo saco todas as instituições, pois existem algumas, como é o caso do IDL - Instituto Duarte Lemos - que até tem protocolos desportivos com a ARCOR e a AD de Travassô e protocolos educativos com os Pioneiros e outros. Todo o industrial, comerciante, prestador de serviços, etc., é na quase totalidade obrigado a prestar contas à DGCI (Direcção Geral das Contribuições e Impostos) e todos possuem número fiscal de contribuinte, como as pessoas individualmente. As instituições em causa ou são sociedades sob forma comercial ou cooperativas. Assim sendo, nada mais fácil e qualquer pessoa tem acesso, através do número fiscal, ir ao portal da DGCI, pagando 3 euros, e obter a “radiografia” da sociedade ou cooperativa. E então verificará através da IES (Informação Empresarial Simplificada): se o colégio ou instituição teve lucros ou prejuízos, a média dos vencimentos dos administradores, se as viaturas foram utilizadas pelos administradores, o montante de despesas de representação, etc., etc.. Basta lembrar o caso da EMEL – relatado na televisão e jornais - para ficarmos de pé atrás. Pois que continuem a fazer muitas manifs, que até dá movimento ao comércio, os professores descansam, mas eles, alunos, carreados pelos pais para esses locais, ficam a saber menos! n JÚLIO DINIS SARAIVA
670 vezes lido
|