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Não sei, não vi, não estava lá…

por Luisa (dra) Mello em Junho 08,2010

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Quando os tempos não estão para ir ao fado (o último CD da Ana Moura, com este título está magnífico), não porque este seja triste mas porque raramente as suas letras tenham um bom desfecho, ou, em alternativa a doses industriais de música clássica do século XIX (muito Beethoven muito Tchaikosky, muito Wagner, muito Chopin, muito Shubert, muito Verdi, muito Strauss, “and so on” na mesma linha) que requer uma adesão de puro prazer sem qualquer intromisão de instrumentos dos tempos contemporâneos (muito telemóvel, muita campaínha de porta, muitos inquéritos e propagandas por rede-fixe, lembretes em tudo o q uanto é post-it à vista…): recomeço a ideia porque parágrafos intermináveis só para muito bons escritores, e ainda assim…
Pois, então, quando tudo isto se não conjuga, vou para a música dos anos cinquenta e sessenta, a tal que a revolução tratou de nacional - cançonetismo, não sei se por conexões hitlerianas (!) se simplesmente parolas. Tenho mais de uma centena de CD’s arrumados segundo datas, categorias, preferência por autores e intérpretes. Um destes dias enfiei a mão, assim ao calha, no “pacote” da música ligeira minimamente descomprometida. Não estava em tarde nem de “ir aos fados” nem daquela serenidade abençoada de me deixar, de olhos fechados, a aderir com todos os restantes sentidos aos clássicos. Maria José Valério. Óptimo. Tinha uma voz bem gira e cantava coisas giras também. Para além disso, como outras da mesma época (Maria Clara, à cabeça, Júlia Barroso, Paula Ribas, Fátima Bravo, Tonicha, Mara Abrantes), é sempre música que me faz recuar como por encanto aos tempos de liceu, quando estudava horas ao som da rádio, sobretudo as infindáveis traduções de “De bello galicum”, de Júlio César, Cícero, “As Catilinárias”, Ovídeo, as Metamorfoses”. A trabalheira que dava, mas também a gratificação, quando se punha o ponto final!
Maria José Valério começou a minha matiné musical com uma canção actualíssima, ou pelo menos altamente premonitória, de título “Não sei, não vi, não estava lá”! O que, sem grandes preocupações do que podia perder do resto da cantiga, me levou a reflectir sobre a utilidade das Comissões de Inquérito para apuramento de quem soube, quem viu, quem estava lá. “Ninguém!”, como responderia o romeiro do “Frei Luís de Sousa”. E andamos nisto há meses! Como o “crê ou morres!” da inominável Inquisição já passou, felizmente, de preceito em sociedades civilizadas, teremos que acreditar ou, como os cristãos - novos, fingir que sim. Um dia, hei-de contar-lhes a história das alheiras, inventadas por esses heróis, para fingir que sim… Só que daí resultou um produto delicioso, o que está longe de me parecer que vá suceder com estas “inquisições”: águas de bacalhau, além de cheirarem mal, são para deitar cano abaixo.
n  Bruxa! O meu “liberalismo” em relação à promulgação dos casamentos homossexuais pelo Presidente da República, não causou só escaramuças verbais familiares ou amigáveis.
Os mais fundamentalistas organizaram-se! Já preconizam a derrota de Cavaco Silva por meter os bois à frente do carro e procuram-lhe substituto menos pragmático.
Eu, embora muito agarrada a certas ideias tão bem-amadas pelos meus “pares”, passei de certeza à categoria de traidora. Só para continuar adepta da máxima romana do “primeiro comer, depois filosofar”… n LM - 29-5-2010

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