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Eleições Legislativas 2009

por A. A. Silva em Setembro 23,2009

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Este é o último número de SOBERANIA do POVO antes do país decidir por quem há-de ser governado (?), no próximo quadriénio.
Antes do dia da grande decisão, alinhámos uma reflexão sobre alguns pontos do quotidiano do nosso povo, à procura de algumas razões para esta crise que tanto afecta o mais comum dos mortais.  
Ora, como parte do mundo empresarial, começamos por aí mesmo, pelas empresas, para dizer que, mau grado a subida vertiginosa das falências - a fazer chegar o desemprego a números catastróficos deixando centenas de milhares de pessoas sem trabalho e numa agonia que só os atingidos conhecem - com apesar de tudo, dificuldades minimizadas pela resposta positiva de quem decide acudir às necessidades primárias das famílias mais atingidas por esta tragédia.
Resposta diríamos escassa, mas equilibrada, não fosse alguns dos subsídios de rendimento mínimo serem atribuídos com pouco rigor e a esmo, a beneficiar, pelo sistema de socorro especial, gente que trabalha, embora à margem da lei e sem pagar impostos, enganando os serviços sociais (basta fazer uma rusga a feiras e mercados, controlar os nomes dos que ali exercem actividade comercial e compará-los com o número de inscrição no subsídio, para ver a dimensão da fraude.
E há também a beneficiar do rendimento mínimo os que não trabalham porque não têm hábitos de trabalho e nem nisso estão interessados (partimos do princípio que roubar, e outros crimes, ainda não estão institucionalizados nem no cardápio das profissões) e, infelizmente, os marginais estão ao nosso lado e os crimes acontecem mesmo debaixo dos nossos olhos, sem que os possamos travar.
Polícia? Tribunal? Isso é uma farsa!
 Toda a gente sabe quem são e onde moram os forade lei, mas, quem pode, corrigir fecha os olhos e bem sabemos porquê: -têm segurança pessoal à conta do orçamento!
 Enquanto isso nós, os parvos, pagamos impostos que os espertalhões sugam com a sua astúcia, enquanto o erário público é desbaratado e o país fica cada vez mais pobre, em consequência de algumas decisões ao mais alto nível.
Uns labutam do cantar do galo ao piar da coruja, enquanto outros sugam o rendimento mínimo e sorvem, de barriga ao sol, a última réstia de verão, para alimentar a preguiça, e, pela calada da noite fazem as suas intrusões ao alheio, sem qualquer risco de penalização. E eles sabem disso!
Adeus segurança de pessoas e bens!
Mas a crise que atravessamos não é só isso, é, principalmente, o resultado da actividade dolosa, de energúmenos e engravatados trapaceiros a fazerem lembrar o sub mundo siciliano ou novaiorquino, sugando as suas vítimas, como vampiros.
Muitos portugueses foram enganados pelas organizações financeiras deste país, por pensarem que, como antigamente, esta profissão era exercida por gente de bom carácter e que as suas actividades seriam fiscalizados com eficiência pelo Estado. Outros tempos!...
Os organismos oficiais não estiveram atentos às diatribes de uns quantos cafajestes de colarinho branco, a máfia-like, bem à altura de uma qualquer camorra napolitana, e saiu caro às finanças do país.
Nós não perdemos porque o dinheiro ganho, todo ele e muito mais, foi reinvestido nas empresas que dirigimos, pelo que nunca houve sobras para jogo, nem estatuto para entrar na alta finança. Mas para alem de termos pena dos que, ingenuamente, acreditaram, também nós sentimos os efeitos da bola de neve gerada pela crise financeira e que, tão rapidamente, se transformou numa avalancha, soterrando as esperanças de muitos.
Mas esta crise é, essencialmente, a crise de valores sociais, morais e humanos, esses sim, conduziram à crise económica. Oxalá os castigos para os vígaros sejam pesados e que as consequências tenham o mérito de alertar as consciências para as sábias palavras, bíblicas: Após um tempo de vacas gordas, seguir-se-á, sempre, um tempo de vacas magras!
Isto é velho, mas o que fizemos nós, quando o dinheiro entrou a rodos pela nossa porta adentro?
 Entre caprichos e vaidades, nem precisa explicar: todos nós sabemos!
Talvez no futuro, os que carregam a nobre missão de criar postos de trabalho pensem melhor no destino a dar às fortunas geradas, quase sempre, com a fidelidade dos seus colaboradores.
Enquanto isso, e porque estamos em maré eleitoral, voltemo-nos para o desempenho de um governo prestes a cessar funções, para assinalar, até onde a nossa capacidade permitir, dois pontos fortes e dois pontos fracos de análise simples e acessível, mas que afecta a maioria dos portugueses.
 Como nota negativa, assinalamos a falta de segurança de pessoas e bens e as deficiências de uma justiça que é cara, que tarda e que não inspira confiança no cidadão.
 Os pontos fortes são, um maior rigor na fiscalidade e a ordem nos impostos, uma ferramenta necessária para acabar com a concorrência desleal entre quem paga e quem só conhece o saco azul e ainda, a remodelação da Segurança Social por ser, para a maioria da classe média baixa, a única coisa que resta no fim de uma vida de trabalho.
Enfim, esperamos que, no dia 27 de Setembro, Portugal escolha bem os seus governantes e fazemos votos para que os eleitos sejam dignos da confiança deste pobre povo que tanto tem sofrido e que, apesar disso, ainda continua a acreditar na democracia.  

a a. silva

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