Na hora das promessas...
A multidão ia petiscando e beberricando para ajudar a melhorar as receitas do clube que nos últimos tempos têm andado com as finanças muito por baixo numa crise tão grande que até o São Sebastião recorreu a esquemas mercantis para poder fazer as honras à Venda Nova no próximo ano. Eis senão quando divagávamos em matéria de crise e alguém fez, da capital, uma chamada via telemóvel, a dar conta aos seus pares, na oposição, da sua primeira grande vitória, na AR: Soubemos de imediato que o autor da chamada, competente mas maçarico nestas andanças, conseguiu uma extraordinária proeza que deitava a perder, ou assim pensava, todos os sonhos do actual poder local: “Vocês, meus correligionários, podem festejar porque o processo da ligação Águeda/Aveiro foi definitivamente encerrado e fechado no arquivo especial do primeiro-ministro onde vai ficar para as calendas gregas”. Mas festejar o quê, perguntávamo-nos!? Só se o motivo da festa for a derrota do povo porque, nunca é o poder nem a oposição que ganham ou perdem, mas sempre o Zé! Quem perde é sempre o povo e quando os políticos em nome de uma cor se regozijam com as suas derrotas, não merecem a sua confiança. A notícia da anulação do projecto caiu como uma bomba, provocando lágrimas de tristeza nos senhores do poder e laivos de alegria nos da oposição. Mesmo esperançados de que a decisão não seja ainda definitiva, os neutros de livre pensamento, aqueles que não estão agrilhoados a nenhum partido político, entre os quais nos incluímos, questionávamo-nos: onde está a dignidade de um Governo que manda, de Lisboa à rotunda de Travassô, um Ministro das Obras Públicas, com batedores à frente da sua viatura para dar mais importância ao espectáculo e visibilidade ao acto, descerrar uma bonita e vistosa placa e garantir com solenidade que o processo da ligação Águeda/Aveiro ia a concurso até ao fim daquele ano, ano de 2008, e as obras começariam até fins de 2009. Comentários para quê, se já ouvimos alguns políticos dizer com a mesma solenidade que as promessas eleitorais nunca foram, nem serão para cumprir e que servem apenas e tão-só para ganhar eleições com os votos do povo incauto e quem eles tomam por parvos! Isto só vem confirmar a nossa velha ideia de que, salvo as raras e honrosas excepções, não podemos acreditar nos políticos, porque a maioria deles não são gente séria. Estão lá, não para servir o povo, mas para se servirem dele! Estávamos nesta cogitação de amena cavaqueira, com a oposição a fazer saltar as rolhas do champanhe, por mais esta benesse que o governo lhe punha nas mãos em maré eleitoral, quando chegaram alguns “chefes tribais”, confiantes e sorridentes, agradecendo aos deuses mais esta vitória, enquanto o povo se desgrenha chorando mais esta derrota: A sua derrota! Sim, porque o derrotado não é o presidente da Câmara Municipal, nem a Junta de Freguesia, nem a AR, nem qualquer cacique local. É o povo por quem, quem decide não demonstra nenhum respeito! Entretanto, os políticos e politiqueiros presentes na tertúlia, e que estão com os olhos postos no futuro acto eleitoral, não tardaram para organizarem, ali mesmo, um leilão na compra de votos: “Pelo teu voto, tens emprego na “quinta” da Venda-Nova! “Pelo voto da tua Família, tens férias nas Caraíbas! Pela vitória na tua rua, terás relva no estádio do teu clube! E… pasme-se: Pelo nosso voto, ofereciam-nos a lua! Atónitos com a falta de carácter de um ministro que em qualquer empresa privada, não dependente do Estado, há muito teria sido demitido, envergonhado com a desfaçatez das promessas e surpreso com as proporções que o leilão tomava, decidi “fugir para a ilha” para me proteger das tentações deste mundo de loucos onde, para chegar ao poder, vale tudo.
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