As consequência das crises económicas e financeiras
Pelas dificuldades em que colocaram as populações, vou dar destaque, especialmente, às crises que ocorreram de 1929/33, de 1939/45, das décadas 1960/1970 e à de 2008, actualmente em curso. Quanto à de 1929/33, com semelhanças próximas daquela que estamos a viver, refere “Histoire Universelle, éditions Strauffager 1956”, que foi especialmente violenta para a maioria dos países da Europa. Portugal ultrapassou-a sem grandes provações, atribuindo o facto ao peso que ocupava o sector primário, à fraca abertura da nossa economia face ao estrangeiro e a um sector secundário atrasado. E acrescentarei eu: também porque Portugal tinha a sua população conciliada com o cuidado de poupar e não desperdiçar e sem o vício do mau uso das necessidades materiais (hoje um cancro anquilosado no corpo da nossa sociedade) e com as Finanças Públicas entregues em mãos seguras e cautelosas!
FOME NA GUERRA
Já a crise de 1939/45, durante a 2ª. Grande Guerra, não nos foi tão generosa. A fome tornou-a num flagelo deprimente e inquietante. Os bens alimentares foram racionados e o nosso milho, imprescindível na alimentação da época, faltou. Das colónias, passou a vir algum a tresandar a mofo, aproveitado, mesmo assim, para confecionar pão intragável. A necessidade chegou a causar desespero e, da nossa freguesia (Macinhata), gente vencida pelo desânimo acorreu a Serém para interceptar carros de bois carregados de milho da lavra do nosso campo, que iam escoltados pela GNR, a caminho das Azenhas. Considerado acto subversivo, foi essa gente atirada para os calabouços de prisões da cidade do Porto, onde, ao tribunal e em sua defesa, chegou (e não fôra isso?) o padre Fernando Baptista, pároco da freguesia, que a trouxe consigo, de regressoa a casa. Finda a guerra, porém, muitas foram as oportunidades que se abriram ao futuro dos homens e o mundo viria a assistir, realizados nas áreas da ciência e da tecnologia, espantosos e deslumbrantes progressos.
DUAS CRISES
Veio a crise da descolonização em África (décadas de 1960/1970). Foi marcada pela expulsão dos colonos (como se de malfeitores se tratassem) especialmente, mas não só os das colónias portuguesas), e pela injustiça da usurpação dos seus bens, com o vergonhoso desprezo da exemplar descolonização, que não os reconheceu como fruto de vidas de intensos e esforçados trabalhos e que culminaria, remetendo para as origens, de mãos vazias, elevado número de honrados cidadãos!. E, finalmente, a actual crise, sobre a qual muitíssimo havia que dizer, mas que vou resumir a parcas palavras. E direi: não faltará quem saiba correctamente dizer, como começou. Porém, onde irá parar, se calhar nem os mais qualificados entendidos saberão.
ASSALTOS E ROUBOS
Por muito que os governantes se desdobrem a desdramatizar, a verdade, porém, é que, com novos acontecimentos a surgir em catadupa, a inclinar as estatísticas para o avolumar do desemprego, das falências, da dívida externa, da miséria, da insegurança, dos assassinatos, das agressões físicas, dos assaltos e roubos - que as pessoas, mesmo nas aldeias mais pacatas, tem medo de sair à rua - que, de hora a hora vão adensando de espessas e sombrias nuvens o céu da nossa intraquilidade, o que se poderá esperar é que o futuro risonho que legitimamente os portugueses sonhavam legar aos seus filhos, está a ficar comprometido e a esperança em melhores dias que, com preseverança e fé têm persistido manter em chama viva, começa a desvanecer-se! Pelo que se vê, esta crise parece querer ficar na história, de todas, como a de repercussão mais nefasta e não é com discursos filosóficos a procurar “sacudir a água do capote” e a envolver sistematicamente a crise internacional que os fidalgos da corte vão convencer os portugueses da sua isenção de culpa... Que, afinal de contas, do povo é que não é!... n ALCIDES MELO
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