Castanheira do Vouga: Vitória claríssima do PSD, com boicote na Castanheira
O PSD (35,96%) venceu as Eleições Europeias em Águeda, com uma vantagem de 10,61% para o PS (25,35%). O CDS-PP foi a terceira força mais votada, com 11,33%. BE (8,68%) e... brancos (6,91%) superaram a CDU (5,18%).
Os social-democratas ganharam em todas as freguesias, menos na Borralha - onde o PS venceu com uma diferença de sete votos para o PSD - e em Segadães - onde PS e PSD empataram (85 votos, cada). O dado mais significativo da votação é a descida do PS (de 17,21%, em relação às Eleições Europeias de 2004) e o crescimento significativo do BE, que, à imagem nacional, triplicou a sua votação (de 400 para 1.259!). Os bloquistas chegaram mesmo a superar as votações do CDS-PP em quatro grandes freguesias (Águeda, Espinhel, Trofa e Valongo do Vouga), onde foram, de resto, a terceira força política mais votada. O CDS-PP, que candidatava o aguedense Aurélio Ferreira, na nona posição, foi o terceiro partido mais votado em Águeda, suplantando o “score” do PS, em Fermentelos (198-85) e em Macieira de Alcoba (7-6). A CDU, apesar de ter crescido em número de votos (510-752) e em percentagem (3,67%-5,18%), não evitou que fosse ultrapassada pelo número de votos... brancos, que se situou nos 6,91% (1.003). O MEP (1,61%) foi a força partidária mais votada dos partidos com menor expressão nacional, chegando a superar a CDU (28-10) em Aguada de Baixo - de onde é natural Ângelo Eduardo Ferreira, fundador do movimento -, e em Barrô (8-6). A abstenção, em Águeda, situou-se nos 67,48% (mais de 30.000 eleitores não exerceram o seu direito de voto!), ligeiramente acima dos 66,15% registados em 2004.
CASTANHEIRA BOICOTOU
Os 630 eleitores de Castanheira do Vouga boicotaram as Eleições Europeias, não exercendo o direito de voto. Tudo por causa da inexistência da rede de banda larga na freguesia. A porta de acesso ao interior da sede da Junta de Freguesia de Castanheira do Vouga teve de ser forçada e as urnas acabaram por abrir por volta das 11,15 horas. A presença do presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, e de um dispositivo da GNR, foi suficiente para que a situação fosse normalizada, mas nenhum dos eleitores exerceu o seu direito de voto, em solidariedade com o presidente Vitor Silva. Em nota enviada à Lusa, a Direcção Geral da Administração Interna afirmou tratar-se “de uma decisão pessoal e ilegal do Presidente da Junta de Freguesia”, garantindo que “a situação será participada ao Ministério Público”.
REACÇÕES DÍSPARES
Castro Azevedo (PSD) considerou que “estes resultados são um sinal claro do descontentamento da governação socialista”. “O país e o concelho continuam a atravessar dificuldades e a população mostrou que já não vai atrás de promessas”, acrescentou. “Foi uma vitória importantíssima em Águeda, por uma diferença significativa e com números animadores em muitas freguesias”, sublinhou Castro Azevedo, garantindo que “o PSD está forte e pretende dar continuidade a um ciclo importante para projectar um futuro diferente para Águeda e para Portugal”. José Carlos Vidal (PS), entende que se trata “de um resultado natural, para um partido e Governo desgastados com algumas medidas tomadas e com a crise internacional, não sendo, no entanto, uma vitória total do PSD, face aos magros 31,9% dos votos”. “Os números são a reafirmação de uma maioria clara de esquerda em Portugal, apesar de se tratarem de esquerdas com projectos diferentes”, acrescentou o líder local socialista, para quem estes resultados devem servir como “um alerta e motivar a reflexão interna”. Filipe Mota (CDS-PP) considerou que “o resultado é animador, tanto a nível nacional como local, onde crescemos, contra todas as previsões das sondagem ao longo da campanha eleitoral”. “Os resultados obtidos animam-nos para as eleições legislativas e autárquicas”, garantiu. “Tivemos uma votação muito expressiva em Águeda e já somos a quarta força política no concelho, factores que nos fortalecem o ânimo para as legislativas e autárquicas”, disse Vitor Gomes (BE) na reacção aos resultados eleitorais do último domingo. Francisco A. Simões (CDU) considerou que “o PS perdeu e todos os outros partidos subiram”. “A CDU cresceu, mas nem tanto como desejaríamos... É melhor ser terceiro, do que ser quarto, mas entendo que o BE cresceu muito à custa do PS. O CDS- -PP acabou por ter um bom resultado”, disse Francisco A. Simões a SP.
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