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Usura pessoal e política

por Manuel José Homem Mello em Maio 21,2009

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Não fui eu a dizê-lo, mas o insuspeito Salazar: «O poder cansa, gasta e desgosta os que o suportam, mesmo quando não haja razão”.
Como se verifica, não é necessário estar-se situado do mesmo lado da barricada para se concordar com o que se diz… Outra coisa, e bem diversa, será reconhecer-se o acerto de um ou mais propósito e proceder em sentido contrário. Ou seja: apregoar o que deve ou como deva ser feito e actuar diversamente. Salazar pode ser apontado a este respeito como um caso paradigmático, porque ninguém mais do que ele procurava manter o poder e, todavia ,parecia escarnecer daqueles que o desprezavam.
Vão decorridos praticamente dois anos desde que Nicolas Sarcozy foi eleito presidente da França. Dois anos no decurso dos quais me foi dado ir a França umas quatro ou cinco vezes, a primeira delas coincidente com a eleição e a quinta, agora, uns míseros cinco dias.
A França política de então mudou radicalmente. A usura do poder tem sido madrasta com Sarcozy, pesem embora os evidentes esforços que nunca regateou de ser reconhecido como o grande reformador da modernidade francesa. A vida pessoal de Sarcozy, exposta a todas as luzes – por vezes, pouco claras –, também não ajudou nada, recheada de episódios picarescos que caíram mal na opinião pública. O enlace com a bela Carla permitiu melhorar o ambiente pouco simpático que fora criado ao redor de Cecília Albeniz, a anterior mulher - que “bateu asas» com um conhecido publicitário .
O que tive ocasião de verificar foi o desalento que se espalhou pelos “sarkosistas”, que esperavam «tudo» e consideram que receberam pouco, pelo menos até agora.
Em contra partida, os socialistas ainda não conseguiram recompor-se das últimas derrotas eleitorais, mantendo-se desunidos e sem acreditar que a nova “raínha” (Martine Aubry, filha de Jaques Delors) substitua a anterior Ségolene Royal, que não revelou possuir as qualidades que chegou a parecer evidenciar.
A actual situação não deixa de fazer recordar o período que se seguiu à eleição de Giscard d´Estaing, de cuja presidência também muito se aguardava e pouco acabou por se conseguir. Os franceses começam a recordar Mitterrand com alguma nostalgia embora, no que a mim próprio diga respeito, não possa considerá-lo como a minha “xícara de chá”…


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