O presidndete do Recreio, António Isaías, auto-suspendeu-se e o plantel vai acabar a época.
A semana passada foi particularmente agitada no Recreio de Águeda, que atravessa uma grave crise financeira e directiva, com implicações na preparação do plantel orientado por Luís Simões. Os jogadores e restantes elementos do grupo de trabalho não recebem desde Janeiro e ameaçaram não comparecer ao jogo de domingo, em Fornos de Algodres, depois do presidente da direcção, António Isaías lhes ter dito, na terça-feira anterior, que não havia dinheiro para ninguém e que «quem quiser sair, pode fazê-lo».
Os jogadores decidiram de imediato que só regressariam aos treinos se o presidente se demitisse, tendo este acabado por se auto-suspender.
A insólita situação levou à suspensão dos treinos entre terça e quinta-feira, tendo o capitão Zé Miguel, enquanto porta-voz do grupo, considerado que «não vemos qualidade no presidente para resolver os problemas e estamos a agir de acordo com a solução que nos foi apresentada, isto é, abandonamos».
Ontem, sexta-feira, os jogadores reuniram-se no Estádio Municipal de Águeda ao final do dia e decidiram jogar os quatro jogos que falta disputar na Série C da 3ª divisão, grupo da descida, contando para tal com o apoio de alguns associados, casos de Manuel Sanches, Amílcar Henriques e Nuno Silva, que estiveram no balneário e se comprometeram a garantir apenas a parte da logística, - transportes e almoços - relativa aos jogos, mas sem qualquer responsabilidade no tocante ao pagamento dos salários em atraso.
Os três elemento referiram que "não há a mínima hipótese de haver outras expectativas, tanto neste fase, como em relação a um futuro maior envolvimento em responsabilidades directivas".
O presidente da assembleia geral, Eleutério Costa, igualmente contactado, diz que António Isaías «cometeu muitos erros, decidiu sempre sem ouvir ninguém e muito menos a mim, pelo que terá de ser ele a resolver os problemas criados".
"O clube não acaba, o que acabou foi o «reinado» do Isaías», concluiu o líder da assembleia geral do Recreio de Águeda.
Segundo números apresentados pelo presidente auto-suspenso, o Recreio de Águeda tem dívidas ao fisco e àsegurança social, da ordem dos 500 mil euros, acumuladas ao longo de vários anos.
Apesar desta profunda crise, o capitão Zé Miguel garante que os jogadores «vão deixar a pele em campo, para evitar a descida de divisão e o seu fim», pedindo também «aos verdadeiros aguedenses e amigos do clube, que nos ajudem nesta fase tão difícil, em que tudo tem faltado».