Mais soarista, que... socialista
Quarta-feira, 1º. de Abril. Não é mentira, não senhor. Acaba de me chegar às mãos um convite para estar presente, no dia 6 do corrente, no lançamento de mais um livro da autoria do doutor Mário Soares. Senão se tratasse de quem se trata, seria de levar a notícia à conta do tradicional dia das mentiras. E, mesmo assim, apetece duvidar. Então este homem, a caminho dos noventa, protagonista do romance fantástico que tem sido a sua vida, mais “soares” que socialista. Perseguido, preso, homiziado, insultado, desconsiderado, valente e destemido, amante da vida mas sobretudo da liberdade ou mais corretamente amante da vida, se houver liberdade, generoso, amigo do seu amigo, incansável, audaz, descomplexado, afável, bonacheirão, vaidoso q.b., político da cabeça aos pés, brincalhão, sedutor, desprendido de bens materiais e de luxos exagerados, mais conhecido no mundo como nenhum outro português, perdendo batalhas mas ganhando quase todas as guerras, este homem que marcou uma época e foi o esteio da libertação do seu país à custa, felizmente, de pouco sangue mas de bastante suor e de algumas lágrimas, este homem que não descansa, que não vacila, que não transige, que respeita as suas convicções como poucos, este homem raro que, mesmo antes de “partir” já se libertou da lei dos que “ficam” para não mais ser esquecido, este homem singular a todas as luzes, continua a viver como se tivesse chegado agora ao ponto mais alto e prometedor da sua carreira. Grão-Mestre da Democracia Portuguesa, para si um apertado abraço do Manuel José Homem de Mello!
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