Carta do leitor: Os palacetes da vila de Mourisca do Vouga
Nasci na Veiga, mas ainda muito pequeno fui residir para Mourisca, até aos 11 anos. Dos 11 aos 17 estive empregado em Águeda, numa mercearia do Largo Senhora da Boa Morte que mais tarde deu lugar ao Café Cancioneiro. O alistamento na Força Aérea aos 17 anos (1961), fez com que viesse parar à Base Aérea, do Montijo de onde fui mobilizado (1966) para Moçambique, que conheço (para além de Angola, Guiné, S. Tomé e Cabo Verde) de um extremo ao outro, por ter sido tripulante de um avião de transportes que, além de fazer rendição das tropas, que operavam nas zonas de guerra, fazia lançamento de tropas páraquedistas e dava todo o apoio logístico a essas tropas. Após a guerra, regressei à Base do Montijo e, daí, razão porque vim a fixar residência e constituir família, primeiro na cidade do Montijo e mais tarde numa freguesia (S. Francisco) do concelho de Alcochete que fica precisamente no extremo Nascente da Ponte Vasco da Gama (no lado oposto, e bem à vista, está Lisboa). Mas é em Mourisca (para além da Veiga) que está grande parte da minha família e, daí que me desloque, de visita a esta vila, sempre que posso. E é esta terra, pelas razões de ter ido para lá ainda de tenra idade, que considero como minha. O que me leva a fazer esta carta é o facto de estranhar que, sendo Mourisca do Vouga uma vila e das povoações mais importantes do concelho de Águeda, quase nunca haja notiícias dela, no Jornal Soberania do Povo, do qual sou assinante há muitos anos. Já me lembrei de oferecer um bloco e uma esferográfica ao vosso correspondente (que não sei se existe) nesta localidade. Se de facto o correspondente existe convidava-o, com todo o respeito, a fazer um trabalho que visasse a reparação e conservação dos diversos (lindos) palacetes que ladeiam a antiga Estrada Nacional. Bem sabemos que são propriedades particulares e que as pessoas que mais reparam na beleza desses palacetes são aquelas que, como eu, só vão aí de vez em quando. Mas acho que a Junta de Freguesia da Trofa e a Câmara de Águeda deveriam tentar fazer, o que fosse possível, dialogando e ajudando os respectivos proprietários, para que esses palacetes não venham a cair degradados com o tempo. Tenho a certeza que a reparação e pintura desses edifícios, daria mais beleza a Mourisca do Vouga e todos nós ficaríamos a ganhar.
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