O primeiro militar de Águeda morto na guerra colonial de Angola
Passam, neste ano de 2011, os 50 anos do início da chamada guerra do “ultramar”, ”colonial”- ou de “libertação”-, consoante os quadrantes políticos que a ela se referem. Nas primeiras vítimas mortais dos trágicos acontecimentos de Fevereiro de 1961, em Luanda, contava-se, o 1º. cabo João Maria de Almeida Figueiredo, que pertencia ao Regimento de Infantaria 10, de Aveiro, na época mobilizado para cumprir serviço em Angola.
Era natural da Póvoa das Laceiras, freguesia de Recardães, e tinha pouco mais de 20 anos. Além de ser seu conterrâneo, fui também seu amigo e também de seus pais. O funeral realizou-se no dia 5 de Março de 1961 e, na qualidade de correspondente em Agueda de jornais diários de Lisboa e Porto, fui incumbido, à época, da reportagem dos acontecimentos que agora recordo. A população de Recardães, assim como muitos habitantes da região, afirmou na homenagem o seu sentimento de dor pela trágica morte do jovem. Da familia do João Figueiredo só não esteve presente a mãe. A pobre senhora não teve forças para assistir à impressionante cerimónia. Organizou-se um cortejo fúnebre, da Capela de Nossa Senhora das Dores para a Igreja Paroquial de Recardães, onde se celebrou missa de corpo presente e, no percurso, aglomerou-se grandre multidão. Assistiram as autoridades civis e militares do concelho, assim como o governador civil de Aveiro e oficialidade do RI 10 de Aveiro e da Escola Central de Sargentos, de Águeda. Decorridos 50 anos dos factos e depois de grandes mudanças e transformações em Portugal, lembro a memória de um jovem que foi dos primeiros a sucumbir nas guerras que, durante 14 anos, ceifaram alguns milhares de vidas e que foi o primeiro aguedense a perder a vida naquele conflito armado. Infelizmente, outros se lhe seguiram. n FAUSTO DE MELO VER EDIÇÃO SP IMPRESSA
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