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Águeda: Saudação ao Orfeão de Águeda

por Redacção Soberania em Fevereiro 29,2012

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Neste dia em que é inaugurado o Auditório Ana Paula Silva, quero aqui deixar uma palavra de sentida homenagem a esta jovem que foi uma das vozes mais belas do Orfeão, a quem também serviu como dirigente e que em sua representação viria a perder a vida.
É justo que o seu nome fique para sempre ligado a esta instituição a que a Ana Paula consagrou o seu talento e a sua própria vida.
Ao meu ilustre amigo António Silva, como Presidente da Direcção e, sobretudo, como pai, dirijo uma comovida saudação, pela forma como, apesar de tão irremediável perda, tem sido capaz de dar o melhor de si mesmo ao Orfeão e ao progresso cultural e cívico de Águeda.
O Orfeão foi fundado em 1916, por altura da entrada de Portugal na I Grande Guerra Mundial, num acto republicano e solidário com as famílias dos militares do Corpo Expedicionário Português, cujo comandante, Brigadeiro Carlos de Faria e Melo, era natural de Aveiro e meu tio avô paterno.
Ao longo dos anos, com altos e baixos, o Orfeão de Águeda manteve-se sempre fiel ao espírito com que foi criado.
À sua história estão ligados ilustres aguedenses como, entre outros, Armando Castela e meu avô Manuel Alegre.
Mas o Orfeão foi sobretudo obra de grandes militantes do associativismo cultural, recreativo e desportivo. Lembro, entre muitos outros, Manuel de Sousa Carneiro, Francisco Balreira e Fernando Brinco a quem dirijo uma saudação especial.
Eles eram dirigentes e ao mesmo tempo membros activos do coral e do grupo de teatro. Ora envergavam a farda dos bombeiros, ora vestiam a camisola do Recreio, ora participavam nas actividades dos ranchos folclóricos e das bandas de música, assim como em outras manifestações do associativismo que foi sempre uma expressão do amor à terra natal e uma forma de preservar e fomentar a cultura popular, o desporto e a solidariedade.
Num país em que a taxa de analfabetismo era então elevadíssima e o atraso cultural uma doença endémica, o espírito pioneiro e solidário destes aguedenses abriu caminho para a pujança que, depois da instauração da democracia, o associativismo atingiu no Concelho de Águeda.
Instituições como o Orfeão de Águeda tiveram e têm um papel relevantíssimo, porque constituem, para muitos cidadãos, a oportunidade de também eles serem sujeitos e criadores de cultura.
Porque a cultura não está só nas grandes obras literárias ou musicais, nem só nos museus e monumentos; há uma cultura cujas raízes estão no povo, uma cultura que pulsa, ainda que por vezes ignorada e esquecida, no coração do povo. É essa cultura que o Orfeão, como outras instituições da nossa terra, tem procurado servir. Sem esta dedicação, sem este militantismo cultural e cívico Águeda seria mais pobre.
“Lusíadas do Povo” disse António Nobre. Esses são os Lusíadas feitos por aqueles que em cada terra preservam e enriquecem o nosso património cultural.
Bem haja, pois, o Orfeão, bem hajam todos aqueles que, como a Ana Paula e seu pai António Silva têm servido Águeda, as suas tradições, o seu património e a sua cultura.

n Manuel Alegre
18 de Fevereiro de 2012.


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